segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quero criar uma musa e me inspirar!


Quero criar uma musa e me inspirar!
Como ela é? Não sei. Ainda a invento,
Junto partes num rosto a me agradar,
Junto qualidades para meu contento

O corpo, negro farto, pode agradar,
Mas se for loira e esbelta, o momento
Fará com que eu a ame como amar
E de críticas, estarei totalmente isento

Ou não. Podem achá-la feia demais,
Podem ver nela qualidades divinais,
Deixo minha musa à vista do alheio

E dedico a ela este sonetinho feio
Perfeita que é no que vejo perfeição,
Molde para a futura dona do coração.

Francisco Libânio,
01/08/11, 4:30 PM

sábado, 18 de junho de 2011

Um dia na vida


Um dia na vida, célula única, indivisível,
Junto de outras mais parece um colosso,
Sozinha, perdida, isolada, quase invisível...
Um dia que dos outros, só, abre um fosso

Um dia na vida, sozinho, perde sentido
Já que ignoramos sua herança recebida
E recusamos o legado a ser transmitido
Com custos e taxas para o resto da vida

O preço que se paga dinheiro não avalia
Nem do recebido nem da transmissão,
Um dia na vida é isso, apenas um dia,

Mas o dia de hoje, às portas de um escuro
Túnel tem para si só do ontem a lição
E o que será feito e entregue no futuro.

Francisco Libânio,
18/06/11, 4:17 PM

terça-feira, 14 de junho de 2011

As ruas 05


Depois de dois dias sem escrever, à caneta,
Pus-me a rascunhar alguns vadios versinhos,
Nada espetacular, apenas uns descaminhos
Que em meu poema tem voz boa e completa

Olho minha rua, ela está lá, molhada, quieta,
Nem sabe que eu escrevo. Estamos sozinhos,
Ela lá pavimentada com poças por laguinhos
Onde a passarada, com sede, se locupleta

Eu, aqui, não estou molhado. Estou quieto,
Sei mais da minha rua que ela sabe de mim,
Somos pouco parecidos, mas algo no fim

Nos aproxima. Os passarinhos que, lá fora,
Bebem água dos laguinhos na rua empoçados
Nesses vadios versinhos ficam imortalizados.

Francisco Libânio,
14/06/11, 6:38 PM

sábado, 11 de junho de 2011

Eu já fui feliz, tive meus momentos


Eu já fui feliz, tive meus momentos
De sorriso, de ver um azul na vida,
Já dei sorrisos sem acanhamentos
E tive uma razão para ver colorida

A vida por tintas de sentimentos,
Eu já tive sonhos de casa florida,
Com jardim, esposa e os rebentos,
Enfim, a felicidade já foi vivida,

Já foi desfrutada, mas foi embora
Para não voltar... Talvez... Mas meu agora
Está longíssimo daqueles dias

Querer que eles voltassem? Quero!
Mas é difícil. Nem mais eu os espero,
Desarrumei meu terreno para alegrias.

Francisco Libânio,
11/06/11, 10:23 AM

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Novela


- Entenda. Não é que eu não goste de novela. Eu até assisto quando estou de bobeira em casa, mas não gosto de acompanhar. – explicava o solícito entrevistado a um pesquisador. Já perdera cinco minutos da volta de seu almoço para o trabalho.
- E por que não? – estendeu o outro.
- Por quê? Porque eu não gosto de me sentir obrigado a incluir a televisão na rotina da minha vida. Prefiro passar a noite conversando com minha esposa, brincando com meus filhos, recebendo meus amigos em casa. A tevê não está entre minhas prioridades. Tenha um bom trabalho. – e saiu.
E o que precisaria? – seguiu o pesquisador a passos largos já a largos passos.
- O quê? O senhor ainda está aqui? Precisaria de quê?
- Para o senhor trocar tudo isso por novela.
- Não precisa de nada. Nunca que eu faria essa troca. Não seria eu.
- Não acredito!
- Pode acreditar.
- Só vendo! Onde o senhor mora?
- Acho que isso não está nesse questionário, está?
- Não, mas é que estou impressionado! Quem hoje troca televisão por família? O senhor não sabia que família unida é aquela que assiste junta o jornal, a novela e depois alguma coisa qualquer? O senhor está enterrando essa instituição! – e o outro, com o pesquisador falando, já estava na porta do prédio onde trabalhava. Pediu pra avisar que já já subia.
- Enterrando? Olha aqui, meu amigo, eu e minha família estamos juntos há seis anos e como o senhor fala que estou enterrando minha família? O senhor está por demais inconveniente.
- Escute, e se agente colocasse mais violência na nossa novela?
- Não me interessa.
- E mais mulher pelada?
- Dá bronca em casa.
O pesquisador alcançou e conseguiu entrar no elevador, para miséria do outro.
- E se colocasse mais povo na televisão? O povo adora se ver, se identificar quando assiste a um programa. Sei que nossa novela, às vezes, parece elitista, mas é questão de contexto, sabe? Mas uma guinada está próxima. Posso dizer que será a própria Revolução Bolchevique da tevê brasileira. Vai ser o que há, diz que não!
- Com todo prazer... NÃO! – respondeu descendo dois andares abaixo. Por sorte, o pesquisador ficou no elevador. Enquanto subia os lances de escadas até sua sala, pensava em tudo o que ouviu. Cara chato! Chegou à sua sala, pensou um pouco mais, deu alguns telefonemas. Em quarenta minutos convocava uma reunião. Começou falando:
- Seguinte, moçada, eu soube por fontes seguras que a concorrência anda com uma pesquisa para mudar a orientação da novela deles. Ouvi falar, até, que eles pretendem fazer a Revolução Bolchevique da tevê brasileira querendo colocar o povo na tela. Então é assim: Chama todo nosso elenco pra gravar e os autores pra reescrever os capítulos. Se vai ter Revolução nessa bagaça, o Lênin dela vai ser a gente! Vamos, pessoal, vamos!

Francisco Libânio,
09/06/11, 3:44 PM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quadra 05


O homem, esse animal racional,
É um tolo crendo que o raciocínio
É seu forte e sofre com o domínio
Do coração e nega como o pior mal.

Francisco Libânio,
09/06/11, 9:48 PM

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ser intenso


Esse poeta é um homem intenso
Sendo nos ódios e nos amores,
Um homem seriamente propenso
A oferecer aos outros os melhores

Sentimentos com grande, imenso
Prazer além de dividir duras dores,
Mas se é para o bem, por extenso,
Esse poeta é para o mal. Os piores

Desejos, ele também sabe oferecer
A quem mereça tê-los ou não mereça
Coisas boas. E no caso uma peça

Apenas é o suficiente para se fazer,
Se para o bem, ofereço infinitamente,
Para o mal, a indiferença é suficiente.

Francisco Libânio,
08/06/11, 10:22 PM