domingo, 15 de agosto de 2010

Soneto para minha Ansiedade


Aquieta-te, minha rebelde Ansiedade,
Não grites que – já disse – não há ouvidos
Para ti, para tua euforia ou teus gemidos,
Para tua mentira ou para tua verdade

Põe-te no teu lugar em meus sentidos
E fica lá quieta, pois tua celeridade
Não ajuda e teu vagar vira maldade
Mais venenosa que teus horrendos ruídos

Acalma-te, Ansiedade, que o que queres,
Sei muito bem e será teu fim infalível
E é o fim merecido para todos os seres

Como tu. Logo chegará meu grande Amor,
Então morrerás e te mostrarás sensível
Dando espaço a algo que ti bem melhor.

Francisco Libânio,
15/08/10, 12:25 AM

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pra quando chegares


Eu não colocaria coroas de flores na porta de casa nem uma faixa pra dizer o quanto estou feliz em te ver de novo. Porque as coroas de flores me cheiram despedidas e as faixas parecem publicidade, seja comercial seja política. E meu peito não precisa soar como patrocinadores nem como apoios com intenções espúrias.

Eu não diria que estava com saudade nem recitaria um versinho. A saudade existia até eu saber que virias e o versinho poderia soar piegas ainda que fosse um soneto de Vinicius. Além do mais, tudo o que devia ser escrito sobre amor já foi. Eu não saberia ser novo, não saberia ter o impacto necessário pra deixar o momento mais especial.

Por isso, estarei à porta de casa de mãos nuas, boca fechada, mas coração cheio. Quando eu te vir virando a esquina, apenas curtirei a curtíssima eternidade que nos separa até o beijo que selará a tua volta. Como foi ontem e como será amanhã. Mais um dia acabou e outro dia virá.

E amanhã estarei com as mesmas dúvidas sobre como te receber bem e o que fazer pra quando chegares.


Francisco Libânio,

13/08/10, 9:36 PM


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Hai-kai de improviso


Pensei em meu amor e veio uma ideia,
Mas tive que contê-la ou então
Não saía um hai-kai, mas uma epopeia.

Francisco Libânio,
12/08/10, 6:19 PM

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Soneto de Monotonia


As horas passam... Que passem porque não faço conta
Do que elas fazem. Isso é problema só delas,
Exclusivamente. Eu fico aqui somente a vê-las
E isso me alivia ao tempo que me desaponta

Alivia porque se elas passam por mim à tonta
É sinal que estou vivo a ponto de entretê-las,
Mas desaponta, pois ao mesmo tempo que elas
Passam, grão a grão minha vida se desmonta

Eu estou aqui, sem fazer nada sem dar sentido
À minha vida e as horas, que comigo têm vivido
São menos as úteis do que as que foram ociosas

E enquanto as horas passam, uso me fazer poeta,
Até escrevo para essas horas vadias. Isso completa
Minha existência enquanto elas se crêem vitoriosas.

Francisco Libânio,
09/08/10, 6:02 PM

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

76 - Não queiras resolver as complicações humanas


Não queiras resolver as complicações humanas
Porque és apenas de todas elas mísera parte
E, mesmo elas vivas em tuas horas cotidianas
Resolvê-las não fará de ti nobilíssimo baluarte

De sabedoria. Discute, fala, retruca, pede aparte,
Mas não tomes as rédeas dessas espartanas
Missões. Tu sozinho, é mais um e de fácil descarte
Se enfrentares de peito as resoluções tiranas

Das mentes humanas. Abandona as revoluções,
Abdica da grandiosidade, põe-te ao pé do chão
E olha pra cima, mas toma as tuas pretensões

E põe elas aos teus olhos que elas irão crescer,
Farão exemplos e vão arregimentar uma multidão
Que, ao fazer o mesmo, ajudará a tudo resolver.

Francisco Libânio,
09/08/10, 5:19 PM

domingo, 8 de agosto de 2010

Paternidade


Um homem só sabe o que é eternidade
Quando ela tem começo e fim, prazo
Contado. A espera segue a velocidade
Da paz, que da pressa não faz caso

Enquanto o homem já reclama o atraso,
O tempo se cumpre com tanta fidelidade
Que o homem já espera a mão do acaso
Para um atalho até a plena felicidade

Mas nem mesmo o acaso ajuda. Passam anos,
Séculos nessa espera em que o eterno
Não acaba, mas tem hora para acabar

E o homem usa esse tempo para planos
Acariciando o ventre cultivado tão terno
Esperando ansioso o filho que irá chegar.

Francisco Libânio,
08/08/10, 12:27 AM

sábado, 7 de agosto de 2010

As mãos percorriam meu corpo com tamanha


As mãos percorriam meu corpo com tamanha
Devassidão que não havia como dizer nada
Que ousasse te parar. E se dissesse, calada
Seguirias surda a mim e fiel só à tua sanha

De querer ter e de me dar prazer. Tal tua manha
E o dom para a luxúria de tuas mãos que cada
Toque de teus dedos deixava a pele arrepiada
E tinhas a certeza que nossa noite estava ganha

Depois de tuas mãos, o roçar dos teus mamilos
Em meu peito e de tua boca à minha beijando
Domou meu amor e instinto pondo-os tranquilos

Este por que estava ansioso para te consumir,
Aquele porque se achou em doce paz quando
Teu corpo com o meu estava louco a fremir.

Francisco Libânio,
07/08/10, 8:56 PM