quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Hai-kai de improviso


Pensei em meu amor e veio uma ideia,
Mas tive que contê-la ou então
Não saía um hai-kai, mas uma epopeia.

Francisco Libânio,
12/08/10, 6:19 PM

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Soneto de Monotonia


As horas passam... Que passem porque não faço conta
Do que elas fazem. Isso é problema só delas,
Exclusivamente. Eu fico aqui somente a vê-las
E isso me alivia ao tempo que me desaponta

Alivia porque se elas passam por mim à tonta
É sinal que estou vivo a ponto de entretê-las,
Mas desaponta, pois ao mesmo tempo que elas
Passam, grão a grão minha vida se desmonta

Eu estou aqui, sem fazer nada sem dar sentido
À minha vida e as horas, que comigo têm vivido
São menos as úteis do que as que foram ociosas

E enquanto as horas passam, uso me fazer poeta,
Até escrevo para essas horas vadias. Isso completa
Minha existência enquanto elas se crêem vitoriosas.

Francisco Libânio,
09/08/10, 6:02 PM

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

76 - Não queiras resolver as complicações humanas


Não queiras resolver as complicações humanas
Porque és apenas de todas elas mísera parte
E, mesmo elas vivas em tuas horas cotidianas
Resolvê-las não fará de ti nobilíssimo baluarte

De sabedoria. Discute, fala, retruca, pede aparte,
Mas não tomes as rédeas dessas espartanas
Missões. Tu sozinho, é mais um e de fácil descarte
Se enfrentares de peito as resoluções tiranas

Das mentes humanas. Abandona as revoluções,
Abdica da grandiosidade, põe-te ao pé do chão
E olha pra cima, mas toma as tuas pretensões

E põe elas aos teus olhos que elas irão crescer,
Farão exemplos e vão arregimentar uma multidão
Que, ao fazer o mesmo, ajudará a tudo resolver.

Francisco Libânio,
09/08/10, 5:19 PM

domingo, 8 de agosto de 2010

Paternidade


Um homem só sabe o que é eternidade
Quando ela tem começo e fim, prazo
Contado. A espera segue a velocidade
Da paz, que da pressa não faz caso

Enquanto o homem já reclama o atraso,
O tempo se cumpre com tanta fidelidade
Que o homem já espera a mão do acaso
Para um atalho até a plena felicidade

Mas nem mesmo o acaso ajuda. Passam anos,
Séculos nessa espera em que o eterno
Não acaba, mas tem hora para acabar

E o homem usa esse tempo para planos
Acariciando o ventre cultivado tão terno
Esperando ansioso o filho que irá chegar.

Francisco Libânio,
08/08/10, 12:27 AM

sábado, 7 de agosto de 2010

As mãos percorriam meu corpo com tamanha


As mãos percorriam meu corpo com tamanha
Devassidão que não havia como dizer nada
Que ousasse te parar. E se dissesse, calada
Seguirias surda a mim e fiel só à tua sanha

De querer ter e de me dar prazer. Tal tua manha
E o dom para a luxúria de tuas mãos que cada
Toque de teus dedos deixava a pele arrepiada
E tinhas a certeza que nossa noite estava ganha

Depois de tuas mãos, o roçar dos teus mamilos
Em meu peito e de tua boca à minha beijando
Domou meu amor e instinto pondo-os tranquilos

Este por que estava ansioso para te consumir,
Aquele porque se achou em doce paz quando
Teu corpo com o meu estava louco a fremir.

Francisco Libânio,
07/08/10, 8:56 PM

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Simplicidade


Simplicidade é uma flor branca num jardim colorido
Todas as outras flores vestidas de gala, de modelos
Diversos se esforçando para que possam vê-los
Enquanto o branco poderia passar despercebido

Mas não passa. Este branco envolto de tanta pureza
Atrai olhares e deixa de lado o colorido das flores
Faz ser menor todo o arco-íris e todas as cores
E tonalidades somem diante da simples beleza.

Assim é meu amor. Nem as cantigas nem as poesias
Rebuscadas de palavras pomposas que não conheço
Tem em sua erudição um fiapo do meu apreço
Posto no eu-te-amo que te dou todos os dias.

Francisco Libânio,
06/08/10, 12:07 PM

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

75 - Coisa mesquinha que é isso chamado saudade!


Coisa mesquinha que é isso chamado saudade!
Mais que isso, ela é manipuladora e oportunista
Porque faz de tudo de bom que alguém conquista
Uma tristeza distante. E com requinte de crueldade,

Ela ainda faz com que tudo o que nos faz bem
Seja objeto de aversão. Então põe tal lembrança
Misturada com todo o medo e toda desconfiança
E o resultado dessa mistura nos leva nunca além

De tudo o que não queremos sequer imaginar. Lá
A mente se debate contra tudo o que de pior há
E a saudade nos vence, mas sua maior fraqueza

Está aos nossos olhos. Ela é infinitamente inferior
Às nossas lembranças e baixinha. Então basta pôr
Todas elas ao alto e não lhes alcançarão tal vileza.

Francisco Libânio,
02/08/10, 8:09 PM