sexta-feira, 8 de maio de 2015

1868 - Soneto errado

Admitir que não se está certo,
Que virtude essa, que bonito!
Sujeito daí quase vira um mito
Da honestidade ou chega perto.

Merece, sim, loas e concerto,
Pois evita começar um conflito
Ou piorar. Do que era maldito
Ele se redime e de peito aberto

A situação o recebe. Tem paz
E expurgam-se as coisas más,
O pecado chega, então, ao fim.

O problema é quando, de birra,
Não se faz, o mal mais se acirra
E o teimoso fica melhor assim.

Francisco Libânio,

05/05/15, 7:25 PM

Haicai 02

Amor de verdade, sim, existe.
Mesmo em quem só erra
E por amor, no acerto, persiste.

Francisco Libânio,
08/05/15, 5:51 PM

1867 - Soneto afobado

Como se tivesse muito a dizer,
Mas não sabia a palavra certa.
Ao mesmo tempo muito aperta
O coração que mais quer fazer

A falar, mas precisa se entender
Como explicar o que desconcerta.
No entanto, é preciso estar alerta:
Há ali um ser complexo, a mulher.

Como dizer o difícil e ser didático?
Como resolver isso de jeito prático?
Vou e falo. Meu peito se escancara,

Algo sai do fluxo e sai do contexto.
Ela esquece o todo, ignora o resto,
Fica puta e me larga o tapa na cara.

Francisco Libânio,
05/05/15, 12:21 PM

quarta-feira, 6 de maio de 2015

1866 - Soneto aberto

E se eu recebesse sugestões
E as aceitasse sem pestanejar,
Sem filtro, apenas pelo trovar?
Em que dariam as implicações?

Na falta de leitores e atenções,
Deixo uma primeira ideia a voar
Pousar na mesa e ter seu lugar,
Convido-a despertar inspirações.

Ela aceita esse inglório serviço
E sai um soneto assim sem viço
Em que as rimas têm destaque,

Mas, tema mesmo, é sobre nada.
Ideia que chega é coisa arriscada.
Escrever bem é coisa pra craque.

Francisco Libânio,
01/05/15, 8:18 PM

terça-feira, 5 de maio de 2015

1865 - Soneto de (falta de) trabalho

Feriado do dia do trabalho e o poeta,
Desempregado e o sendo de graça,
Sem receber e sem ter quem o faça
Pagar por ser poeta, apenas enceta

Um soneto com a única e boba meta
De termina-lo. Com a cabeça escassa,
O humor ruim e lembrando da massa,
Que, como ele, não trabalha e vegeta,

Mas que diferente dele não soneteia,
O poeta se revolta e esse não floreia,
Evita palavrão, evita gratuita agressão.

Ele sabe que sobram talento e vontade,
Sabe como é cruel e triste a sociedade,
Para quê ser duro ao sonetear então?

Francisco Libânio,
01/05/15, 9:55 AM

1864 - Soneto endiabrado

Mulher diz que está pro crime
E nos olhos existe uma malícia,
Pode apostar, há toda a factícia
Maldade e como nada a oprime,

Praticar e fazer que se legitime
Esse crime usufruindo a delícia
Dele é metal final. Não há polícia
Que a impeça. E não subestime

O que pode fazer esse desejo.
Quando ele surgir de um cotejo,
O fogo da mulher a fará criativa,

Fará dela puta. E bom que seja.
Azar tem é o cara que apedreja
A mulher pelo erro de estar viva.

Francisco Libânio,
29/04/15, 7:43 PM

1863 - Soneto atrás de calma

Porque todas as tensões têm,
Naturalmente, a coisa inimiga,
Coisa negativa que só dá liga
Com outras e uma puxa cem,

No maremoto já nos faz refém,
Na tranquilidade arruma briga,
Qualquer coisa já a empertiga
Dando mal a si e a mais quem

Esteja perto. Então na tensão,
Fujo de gente, evito invenção,
Tento sonetear a ver se volta

A paz, mas paz não já existe
Quando se está o tanto triste
E as tensões estão aí a solta.

Francisco Libânio,
29/04/15, 12:22 PM