quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1415 - Soneto de uma sentada 2

Lirismo na grosseria, claro que tem!

Os palavrões são censurados
Na poesia, e isso é uma pena.
Prefere-se coisa mais amena,
Negocinhos bem adocicados

Aos reais mais escalavrados,
Uma verdade crua e obscena,
Mas verdade, a coisa terrena
Que deixará demais corados

Os estetas, os poetas carolas
E os que brigam pelas escolas
Tradicionais em que a poesia

Bonita e merecedora do nome
Não parte pro chulo e dome
A boca suja como a rebeldia.

Francisco Libânio,
08/01/14, 11:02 AM

1414 - Soneto de uma sentada 1

Se prepara que vamos te macular!

Encara a folha em branco e parte
Para ela com fúria e com escrita!
Cada verso é um pedaço de brita,
Cada risco vale uma obra de arte,

Mas a folha pede para si o aparte.
Não gosta de algo e então grita,
Preferia a sua alvura tão irrestrita,
Achava-se da pureza o baluarte.

O poeta, que com o alvo não dá
Combinação, prefere deixar pra lá
E enche a folha com indiscrições.

O soneto se faz e a folha se cora,
Quer matar o poeta que a deflora
Sem romantismo, com palavrões!

Francisco Libânio,
08/01/14, 10:31 AM

1413 - Soneto das janelas

Muito mais que isso!

Uma porta para o mundo,
Um respiro numa prisão,
Um quadro vivo à visão,
Um pensamento profundo...

Nessa janela eu abundo
Em pensamento, intenção,
Nesse espaço a televisão
Em que procuro no fundo

Um soneto para meu dia,
Mas tudo aqui é poesia,
A janela é bem inspiradora.

E se isso é só uma janela,
E ela é parte de uma cela,
Imagina o mundo lá fora!

Francisco Libânio,
07/01/14, 6:07 PM 

1412 - Soneto das paredes

Não é o que parece

Dizem, as paredes têm ouvidos.
Cuidado, pois com o que fala,
Se suspeita, cifra a não decifra-la
Põe nela uns tons mais ruídos,

Às paredes façam despercebidos
Detalhes, comentários com gala,
A sua alegria incontida logo a cala,
Há todos, nas paredes, os sentidos

E eles são espertos e maldosos!
Uma alegria assim cheia de gozos
É motivo suficiente pra tramoia

Ou se você crê que parede escuta,
Cuidado, ou você vence essa luta
Ou cede a isso e à sua paranoia!

Francisco Libânio,
07/01/13, 4:00 PM

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

1411 - Soneto dos temas repetidos

Andy wahrol repetia mudando cores. E daí?

Falo de política, de sociedade,
Injustiça, mulher gorda, peituda
Hora ou outra, a porrada aguda,
Hora ou outra, alguma futilidade.

Mas aí chegou tal quantidade
Que o tédio meio se desnuda
E um reclama “Isso não muda?”
Cobrando a diária originalidade,

Oras, esse reclamão, por acaso,
Seguindo dessa crítica igual azo
Come todo dia negócio diferente?

Ou repete lá seu feijão com arroz
Na semana puxada e tão atroz
Que o igual termina até atraente?

Francisco Libânio,
06/01/14, 6:55 PM

1410 - Soneto dos dias sem soneto

De boas aqui... Depois escrevo.

E se passo um dia sem escrever,
Alguém no íntimo pergunta assim:
Acabou inspiração? Está no fim
Seu lado poeta? Nada para se ler,

Inspirar? Tá te faltando a mulher?
Ainda bem, pois seu estilo é ruim!
Oras, se o poema não vier a mim,
Não irei até ele voltando a bater,

A punir. Ele merece um descanso
E eu também. Um dia de balanço
Não é rompimento, é só a pausa

Para que o poeta bem se revigore
E que, do nada, um poema arvore
Sem ter pressão ou alguma causa.

Francisco Libânio,
06/01/13, 12:54 PM

1409 - Soneto das portas

Burro é você!

Ser burro como uma porta
Ofende? À porta é que não.
Ela pode não ter graduação,
Doutorado e isso importa?

Ela vive em paz e absorta
No abrir e fechar, situação
Cotidiana e não abre mão,
Pois isso muito a conforta.

E ela é burra? Tem que ver.
Quanto sabe quem a dizer
A critica? Cadê o diploma?

Por que vem tirar essa paz,
Essa tranquilidade que jaz
Falando o monte de broma?

Francisco Libânio,
06/01/14, 11:19 AM