quinta-feira, 21 de março de 2013

827 - Soneto outonal

Outono só pra foto.

Outono de folhas ao chão, caídas,
Cenário de pintura, um plano ideal,
A expectativa que o inverno, afinal,
Chegue. Essas variações coloridas,

Vermelho e marrom; enverdecidas
Algumas folhas e o vento outonal
Levando por aí, movimento casual
Deixando outras folhas dormidas...

Isso é lindo, poético e maravilhoso,
Mas não é daqui. O mais gostoso
Do nosso outono é o tempo fresco,

Com expectativa de um inverno frio,
Fraquinho, mas que causa arrepio
Aos fãs desse outono carnavalesco.

Francisco Libânio,
21/03/13, 12:58 PM

826 - Soneto da burrice invejosa

Leitor d´O Estadão ocupado lendo o jornal.

Chefe do Estadão disse: O povo é burro!
Estranho. Isso soa desespero ou inveja
Desespero porque o jornal mais rasteja
Em venda e o deixa assim bem casmurro.

Inveja porque ele deu um pretenso murro
Na dita ignorância que, para ele, dardeja
Para o alto uma presidenta. Aí esbraveja,
Irrita, perde a razão e ainda chama zurro

A opinião que não afina com seu jornal.
Por tanto, se somos burros para este tal
Jornalista, talvez tenha ele lá sua razão.

Somos burros Mas antes que o parasita,
O urubu que torce contra e só regurgita
As burrices que saem direto no Estadão.

Francisco Libânio,
21/03/13, 12:41 PM

quarta-feira, 20 de março de 2013

825 - Soneto do santo portenho

Milagre ele já fez. Notícia aqui.

Papa Francisco, argentino nato,
Resolveu dar melhor andamento
A beatificações, reconhecimento
Sacro, de vítimas de assassinato

No regime militar. Realça o fato
Serem os beatos do momento
Argentinos. Se há merecimento?
Só o papa o vale ao candidato.

Mais seis argentinos de uma vez?
Exagero! Ou protecionismo talvez!
Entendo que haja mérito ou apego

Só sei que o Papa, nesse embalo,
Não demorará e concederá o halo
Santo ao deus deles, Don Diego.

Francisco Libânio,
20/03/13, 12:40 PM

terça-feira, 19 de março de 2013

824 - Soneto do triste trote

Isso é  um grande imbecil.

Ainda existe trote? É triste
Que exista, mas adicionar
A ele racismo é pra lascar!
E pior, esse combo existe!

Um de mão direita em riste,
Outro pinta de preto a zoar
A negritude, finge escravizar
Vendo nisso grande chiste?

À merda o cretino veterano!
Que seja expulso de plano
E vá dar panfleto na praça!

E ao fazer, que leve porrada
Com boa e verde escarrada
Já que se acha a nata da raça.

Francisco Libânio,
19/03/13, 8:04 PM

823 - Soneto da vagabundagem que prolifera

Tem mais que muitos profissionais. Veja aqui.

Pense que situação surreal!
Há mais ex-BBBs no mundo,
Quase um duzentos rotundo,
Sem uma profissão formal

E supera classe profissional
Muita por aí. Tem vagabundo
A mais que quem vá a fundo
Em trabalho seja intelectual

Seja braçal, mas necessário.
Mais, fica-se fácil milionário
Sem fazer é porra nenhuma!

Isso sim merece nossa pena,
Ver mais boçal por aí em cena
Que o que no labor se apruma.

Francisco Libânio,
19/03/13, 7:50 PM

822 - Soneto quase artístico

Eterno como poucos.

Quer-se um soneto por eterno,
Como uma pintura de Leonardo,
Algo que tome qual o petardo
E fique e legue para o moderno

Um exemplo, um quê paterno
Para a arte como fez o bardo
Inglês, aquele grande felizardo
Que uniu o grande amor terno

Ao tão copiado conflito familiar.
Coisas que a arte tem para dar
E o dito moderno por si ignora.

Aí escreve uma bobagem vazia
Com uma orelha no jornal do dia
E se acha da arte a nova aurora.

Francisco Libânio,
19/03/13, 5:40 PM

821 - Soneto quase romântico

Uma dessas seria perfeita pra casar. E ago mais.

Nem sempre se quer só putaria,
Às vezes uma mulher diferente
Em nossa cama cansa a gente
E tem vez que o dia não é dia

De ficar na esbórnia e se queria
Uma mulher para, simplesmente,
Para ser sua, um abraço quente
E não sensual, o riso de alegria

E não de excitação. Ir do sexo
Além rumo ao mais complexo,
Ao amor, o mais íntimo que há.

Queria essa mulher arrebatadora,
Companheira, só que não agora
Que trepo e gozo. E nem tão já.

Francisco Libânio,
19/03/13, 9:24 AM