sábado, 30 de abril de 2011

Série Mentes 05 - Subcosnciente


Meu subconsciente é uma caverna escura
Com uma faixa que a deixa por proibida
Para qualquer um, até para minha vida
Que tenta descobrir de longe a estrutura

E teme os monstros sobre os quais a cultura
Fala de forma assustadora e conhecida
Como se já os conhecesse. E perdida
Nesses achismos, minha vida perdura

Da caverna não se passa. Só morcegos
Que voam de dentro dela. Serão vampiros?
Monstros alados cansados de seus retiros?

Podem até ser, mas são tão inofensivos
Que mesmo que existissem, fossem vivos
De tanto viverem no escuro seriam cegos.

Francisco Libânio,
30/04/11, 4:23 PM

01 - 27-04-11 - Em tua boca há o sabor com o qual mitigo


Em tua boca há o sabor com o qual mitigo
A acidez de minha vida, meus dissabores,
E com teus beijos doces que ainda sigo
Buscando outros gostos ainda melhores

Em teus seios aninho meu desejo antigo,
Fantasioso talvez, de me aninhar em calores
Humanos perfeitos, é onde está o abrigo,
E no alto deles vejo todos os meus amores

Em teu regaço me aqueço e me completo,
Tudo que é teu está lá e lá fazemos nosso
Nele eu me faço teu e nele de ti me aposso

Em tua existência foi que me fiz concreto,
Me fiz homem e pude tentar te fazer mulher,
Foi contigo que aprendi a amar e a viver.

Francisco Libânio,
27/04/11, 6:09 PM

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Série Mente 04 - Alucinações


Minhas alucinações são reflexos meus num espelho,
Distorcido. Sou eu me vendo noutras modalidades,
Noutros corpos, noutros rostos e noutras vontades,
Sou eu mais atlético, sou eu mais novo, mais velho...

E junto esses outros eus e com eles me aconselho,
Converso com eles, compartilho minhas intimidades,
São só imagens refletidas, mas que vivem verdades
Diferentes da minha, mas de ponto comum parelho,

Afinal, minhas alucinações não são nada mais que eu
Com outras formas, de outras ideias e de gênese igual
Por isso me conhecem e, no íntimo, sabem meu mal

E meu bem. E quem me vê por aí falando com elas
Jogando palavras ao léu, como eu, não poderá vê-las,
Elas não existem. Fazem parte deste imaginário meu.

Francisco Libânio,
27/04/11, 11:10 PM

Hai-kai 05


Observa o mundo, contempla, apreende...
Cada minúcia imperceptível de existência
Guarda mais poesia do que crê a ciência.

Francisco Libânio,
27/04/11, 11:16 PM

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Série Mente 03 - Medos


Meus medos são lobos dos mais cruéis
E têm os andares ardilosos e sorrateiros,
Seguem à espreita, sentem meus cheiros,
Desejam me devorar ou aos meus farnéis

Cheios de sonhos. E aí atacam em tropéis
Infernais. Os mais fortes são os primeiros
A morderem pernas contra chutes certeiros
E boca evitando que eu chame os batéis

Que me defenderiam deles. Minha solução
É me atracar ao pescoço do líder da matilha,
Os outros ameaçam, mas minha mão encilha

O Alfa e com força domo o medo dominante,
Mato-o e depois, à muita luta, venço o restante,
E sigo, mas ainda há lobos. É preciso atenção.

Francisco Libânio,
26/04/11, 11:27 PM

terça-feira, 26 de abril de 2011

Série Mente 02 - Minhas angústias


Minhas angústias são ervas maléficas e daninhas
A povoar o jardim onde eu planto minhas flores,
Meus arranjos e as outras tantas coisas minhas
Que pintam minha existência enchendo de cores,

Quando tudo está arrumado, chegam as folhinhas,
Depois as cascas grossas e aí os maus odores
Para finalmente brotarem angústias entre as vinhas
De meu recanto com gritos e gemidos ameaçadores

Ouço minha florada pedindo ajuda, ela se desespera,
E com sua força, ela luta como pode pela salvação,
Mas ainda que vença algumas angústias, a submissão

A elas parece inevitável não fosse um último alento,
Minha vontade de vê-la altiva recobra-lhe o tento
E subjuga as angústias, mas uma ainda me ulcera.

Francisco Libânio,
23/04/11, 12:25 PM

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Série Mente - Meus desejos


Meus desejos são como fossem carneiros etéreos,
Muitos, enquanto eu numa paz idílica os pastoreio,
Conto e reconto o rebanho em meus planisférios
Oníricos, cercados onde eles vivem sem arreio

Eu confio neles. São carneiros lanudos, são sérios,
Suas lãs cobrem o chão do pasto. Tomo-as e enleio
As patas aos meus pés. Eles balem mil impropérios,
Nunca foram prisioneiros, por que agora os cerceio?

Porque eu os quero próximos a mim, diuturnamente,
Eles não concordam. Esperam meu sono para a fuga
E fogem rumo ao infinito com a lã que me conjuga

Hoje, atado aos meus desejos, vôo a reconquistá-los,
Se retomo um procuro outros mais perto dos halos
E tento trazê-los ao chão, mas eu os busco eternamente.

Francisco Libânio,
23/04/11, 11:52 PM