quinta-feira, 1 de julho de 2010

Marcial


Meus conhecimentos de guerra são insuficientes
Para brigar pelo amor que sinto. Se vale tudo
Nos dois extremos, fortes serão meus oponentes
Pois diante deles estou sem armas nem escudo.

Francisco Libânio,
01/07/10, 11:29 PM

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Soneto que não ama mais


Eu já não amo mais. O que havia de amor
Cessou. Acabou. Este amor não mais existe,
Não mais sente, não tem forma nem cor
E apesar disso tudo, não estou nada triste

Não estou sentido, não é ruim. O contrário,
Aliás, nunca me senti tão bem em minha vida!
Este amor que existia fazia-me perdulário
Ao escrever e fazia a mulher amada dividida

Todos viam, achavam lindo: Oh, o apaixonado!
(Quase como pena!) Decidi, pois, está acabado!
Não mais sinto amor. Nem o novo nem o antigo!

Agora trago apenas tu, que ao amor extravasa,
Tão perfeita que não só amo. Amor é coisa rasa
E o que sinto é maior e não há definição comigo.

Francisco Libânio,
30/06/10, 6:33 PM

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tudo que eu queria ser


Tudo que eu deveria ser, eu procuro
Esmerar-me. Tenho cá as qualidades
Minhas, as quais com esmero depuro
Procurando afastá-las das vaidades

O que me é defeito, com dificuldades,
Procuro estudar e encarar com tal apuro
Que, irado, ele se vinga nas adversidades,
Para que eu me envergonhe no futuro

Porque defeito nenhum aceita ser vencido
Nem corrigido, mas ter para si o comando,
Mas não terá enquanto eu estiver lúcido

Mas o que os outros tem de bom e eu vejo
Tantas coisas boa sem eu ter. É quando,
Por feio que seja, eu abertamente os invejo.

Francisco Libânio,
29/06/10, 9:42 PM

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Soneto para esperar


Eu sei que virás. Qual será a demora
É apenas questão menor a se resolver.
Se eu pensar nisso pode acontecer
De chegares sem ser vista e ires embora

As questões de quem espera estão fora
Do que deve esperar. Irás aparecer?
Quando? Quem espera tudo o que quer
É que a espera acabe e chegue o agora,

Mas nem todo agora necessita ser urgente,
Ser um já, ser instantâneo, ele precisa
Apenas acontecer, mas acontecer na hora certa,

Então escrevo quando tua porta me desperta,
Acaba a espera, que no fim foi bem concisa,
Para vir nosso agora que desejo durar eternamente.

Francisco Libânio,
27/06/10, 7:46 PM

Extraído de http://janeladecima.files.wordpress.com/2009/09/espera-752420.jpg

sábado, 26 de junho de 2010

Viúva


Minha alma andava por aí viúva. Seu par
Era um amor que ela cria ter encontrado
E morreu sem deixar satisfação ou legado
Restando apenas a saudade e um lugar

Vazio. Em vão, ela buscou um namorado,
Por necessidade, ela tentou se casar,
Por desespero, ela chorou mais que o mar,
Por loucura, ela se recusou ter enviuvado

E no auge dessa sua mórbida viuvez,
Apareceu certa companhia, só companhia
Num primeiro momento, apenas cortês

Mas o tempo passou e tal companheira
Fez minha alma viver o que não mais vivia
Apartando-se dela só na hora derradeira.

Francisco Libânio,
26/06/10, 12:27 AM

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Verbo Futuro


Escrevo nossa história de amor idealizada
Num tempo em que predomina o futuro
Eu te amarei, tu me amarás, tudo conjecturo
Para um porvir que imagino demorar nada

E não quero saber entre nós há um muro
A separar. Escrevo nossa história apaixonada
Atribuindo a cada verbo uma boa traulitada
Nele e cada hipótese faz uma luz no escuro

Que é esse dia em que não haverá nenhum
Muro, nenhuma treva, apenas luzes e certezas
De que o que se escreveu era clara verdade

Assim, em cada verbo futuro há mais vontade,
Há mais segurança de escapar essa história ilesa
De verbos futuros que farão de dois apenas um.

Francisco Libânio,
23/06/10, 6:36 PM


Foto extraída de http://tudoroger.files.wordpress.com/2009/09/mao-escrevendo1.jpg

terça-feira, 22 de junho de 2010

Soento de espera


Enquanto te aguardo descer dos meus sonhos,
Vou te amando em todos os nossos planos,
Em tudo aquilo que falamos os dois risonhos
Ao imaginar em horas todos os nossos anos

E nos vejo a rir em dias alegres e nos tristonhos
Tua mão e a minha a consolar. Tão levianos
Esses pensamentos que parecem medonhos
Os nossos agoras quando baixam os panos

Nós dois, pela infinidade, quedamos separados,
Amando, claro, não haveria como não se amar,
Mas por conta deste amor este terrível fardo

Não há de ser nada. Logo estaremos abraçados,
Dividindo este amor no mesmo tempo e lugar
E feliz, mas enquanto isso, resta o aguardo.

Francisco Libânio,
19/06/10, 9:25 PM


Figura extraída de http://tapetedepenelope.files.wordpress.com/2009/09/espera.jpg