sábado, 5 de julho de 2014

1703 - Soneto do namoro na casa dela

Comportem-se aqui também!

Lá estão: casal e os pais da namorada.
O pai olha o futuro genro como um cão
Feroz. Sabe ele, que na menor distração,
Sua princesa será corrompida, violada,

Seduzida e, mais que queira isso, nada
Tira do pai que a culpa da má sedução
É desse moleque que, na boa educação,
Chegou em casa e agora quer a zoada.

O pai estuda todo possível movimento,
O namorado quer, mas o discernimento
De que ali nunca rolará é todo soberano.

A filha quer também, mas tem seu papel
De princesa a cumprir. Espera-se o motel
Para que a coisa corra debaixo do pano.

Francisco Libânio,
23/05/14, 10:28 AM

quarta-feira, 2 de julho de 2014

1702 - Soneto do namoro na casa dele

Comportem-se!

Ele recebe a namorada e seus pais
Conhecem a moça, aprovam-na e tal.
O pai a acha bonita, corpo escultural,
A mãe gosta, mas quer saber mais

Sobre ela, precaução não é demais,
O que fazem pai e mãe, família qual?
Saber se tem mão boa, dom maternal
Se, possível, antecedentes criminais...

A sabatina discreta a aprova e o voto
De confiança é dado. Tem um remoto
Pé atrás, mas o tempo o põe a frente,

Ou não. Quando dormem na casa dele,
A namorada sente o mal na própria pele
Quando a sogra acorda descontente.

Francisco Libânio,
22/05/14, 7:06 PM

1701 - Soneto do namoro e o irmão mais novo

Rápido antes que o pivete chegue!

O casal se encontra para namorar,
Dar uns beijos e, acaso aconteça,
Um sexinho. Nada há que impeça,
Mas um contratempo vai pipocar:

Saíram os pais e como se a cuidar
Da casa e a fim de evitar uma peça,
O cunhadinho fica. E enche à beça
Mesmo quieto, tipo a sala de jantar,

Castiçal a pôr luz e se quer o escuro,
O vazio, ausência além do mais puro
Espírito de paz para que haja o forfel

A dois. Mas esse moleque não se toca.
Deixa. Crescendo, haverá devida troca.
Cunhado mais velho vai lá na lua de mel.

Francisco Libânio,
22/05/14, 11:59 AM

terça-feira, 1 de julho de 2014

1700 - Soneto iluminado

Locke, Volteire, Rousseau e Diderot, luz pra todos!

Século das luzes, intelectualidade
Aflorando, gênios e pensadores
Destruindo os cristãos pendores
Introduzindo dose de racionalidade.

Tomba uma a uma cada verdade,
Eternizam-se os grandes criadores,
A Filosofia encontra dias melhores
O debate racional o palácio invade.

E tome Spinoza, Rosseau e Voltaire,
Agora uma verdade imposta requer
Prova. E sepulta-se o geocentrismo.

Viva Galileu, o Papa perde respeito,
A burguesia se cria, mas com efeito,
Dá azo para que venha o socialismo.

Francisco Libânio,
22/05/14, 10:10 AM

1699 - Soneto lutador

Mas a palavra pode não vir... E a derrota ser certa.

Sendo entre as lutas a luta
Mais vã, as palavras são
Apenas a demonstração
De como pode é poluta

Cada uma dela. A cicuta
Em sua maior condenação
Para quem ignora a poção
Do silêncio, como executa

Seu trabalho, mas prefere
A fala, a tal que muito fere
Quem domina o manuseio

Como quem usa imprudente
E quer lutar qual um valente,
É ele o que morre mais feio.

Francisco Libânio,
21/05/14, 7:07 PM

quinta-feira, 12 de junho de 2014

1698 - Soneto para um itabirano

Tem hora que bate a saudade...

De que adianta nascer em Itabira,
Ser triste, ser orgulhoso, de ferro
E trazer no peito o itabirano berro
De ser da terra do poeta cuja mira

Sempre será ele? Se lá que respira
Poesia e minério onde, sem ter erro,
Se é de ferro, como ver o desterro
Em outra cidade onde se transpira

Cultura, beleza, e onde o itabirano
É tido por poeta de primeiro plano
E para os fãs da poesia um herói?

Que adianta ser de Itabira e, adrede,
Itabira ser só um quadro na parede,
E daquele tipo de quadro que dói?

Francisco Libânio,
21/05/14, 12:32 PM

1697 - Soneto de inspiração fraquinha

Ideias, cadê vocês?

Como houve já uma insípida inspiração
Num soneto meu e agora não é melhor
A situação e vai mal o poder inspirador,
Eu luto para não intitular com repetição,

Mas deixar latente que a atual situação
É braba tanto que recaí usando o amor,
Faço umas drummondadas, poeta-mor,
Para um gás e continuar a dura missão

De sonetear, mas quando há um nada
Lá onde devia ter uma ideia encorpada,
O desespero toma conta desse poeta.

Assim, o soneto fala sobre si por ajuda,
Claro que seu desabafo em nada muda,
Mas quem devia sustenta-lo ele alfineta.

Francisco Libânio,
21/05/14, 10:02 AM