domingo, 16 de fevereiro de 2014

1496 - Soneto com re-esperança

Levanta, sacode a poeira...

Depois do tombo, o choro
Até é válido, mas demorar
Nele, usar tempo a chorar
Não levanta e nem é soro

Contra queda, o desaforo
Para o tombo é se levantar,
Bater a poeira e o desafiar:
Para a briga com o sonoro

Xingamento. Ele vem durão
Para repetir a dose ao chão,
Mas repetirá o golpe anterior,

E como ele ataca já se sabe.
Agora que o tombo desabe
Por ser contra mim um amador.

Francisco Libânio,
15/02/14, 10:01 AM

1495 - Soneto com desgosto

Quando escrever desanima...

Objetivos para serem alcançados,
Fama para ter e ser reconhecido,
Força para levantar após ter caído
E foco para não olhar aos lados.

Obstáculos a serem superados,
Fé para quando se sinta perdido
E aí não se tem fé e o ocorrido
Deixa a Fé e eu mais apartados.

Sonetear sem fé e desanimado
Empobrece a rima e faz enfado
No que sempre tive por prazer.

Quando é assim nem irreverência
Anima. O poeta mata a paciência
Como algo bom em si ao escrever.

Francisco Libânio,
14/02/14, 12:06 PM

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Poema de fuga 9

Jamais eu seria Leminski.

Eu nunca seria
O poeta
Que nunca fui
Um dia.

Francisco Libânio,
30/12/13, 10:35 PM

1494 - Soneto com toque de realidade

Eu tô de boa, pode ficar tranquilo.

Poeta, e esses sonetos cheios
De sentimento, como tá o peito?
Está bem, eu é que tenho feito
Sonetos sem pôr tantos arreios,

Pôr doçuras e outros recheios
Para ser soneto mais perfeito
E ficar um pouco mais estreito
Com o passado, mais floreios

Sentimentais, nada que em mim
Se passe. E com isso dou fim
À explicação da minha atual lira.

Quem me pergunta se contenta
Com a resposta e nem comenta
Nada. Sabe que isso é mentira.

Francisco Libânio,
13/02/14, 9:08 AM

1493 - Soneto com desespero

 
O tal Jó conseguiu absorver tudo.

Porque quando some paciência,
Aparece rápido dona Ansiedade
Dando o ar da graça à vontade
E sendo chata com experiência.

O problema é que na ausência
Dela, ao querermos vacuidade,
Não acontece. Aí a extremidade
Máxima surge sem clemência.

A pessoa se estertora, a espera
Sufoca. Admite-se. Jó foi a fera
E aguentou quietinho a porrada.

Já eu não sou Jó e esse soneto
É um Prozac pra me pôr quieto
E afogar essa espera angustiada.

Francisco Libânio,
13/02/14, 8:44 AM

1492 - Soneto com novas terras

Outro continente? Olha minha cara de quem acredita nisso!

Que o mundo ia além da Europa
Era sabido, pois já havia o Leste,
A China, a Índia da seda da veste
Dos nobres. Mesmo assim topa,

O nobre, a mandar povo e tropa
Para ir rumo a China pelo Oeste.
E vai Colombo enfrentar o teste
De sua tese e mete proa e popa

Ao mar, dá em terra como espera.
O mundo seja algo tipo esfera,
Talvez, como ele tinha em mente.

Mas o que Colombo não sabia
Nem aceitava, achava aleivosia,
Era sua Índia ser outro continente.

Francisco Libânio,
12/01/14, 12:15 PM

1491 - Soneto com silêncio

Daqui sai um soneto, hein?

Fecho-me em copas e aquieto
Meu coração para que eu redija
Mais um soneto. O barulho alija
Minha paz, por isso este veto.

Mas o silêncio nada traz. Soneto,
Rima, ideia. Está vazia a botija
De onde sai o que me regozija
Em sonetos. Um silêncio repleto

De gritos inaudíveis. Que bosta!
Achei que o silêncio fosse aposta
De júbilo, meditação inspiradora.

É nada! Desisto dessa quietude!
Meto um rock mudando a atitude,
Toro tudo e o soneto sai na hora!

Francisco Libânio,
11/02/14, 6:15 PM