sábado, 15 de fevereiro de 2014

1494 - Soneto com toque de realidade

Eu tô de boa, pode ficar tranquilo.

Poeta, e esses sonetos cheios
De sentimento, como tá o peito?
Está bem, eu é que tenho feito
Sonetos sem pôr tantos arreios,

Pôr doçuras e outros recheios
Para ser soneto mais perfeito
E ficar um pouco mais estreito
Com o passado, mais floreios

Sentimentais, nada que em mim
Se passe. E com isso dou fim
À explicação da minha atual lira.

Quem me pergunta se contenta
Com a resposta e nem comenta
Nada. Sabe que isso é mentira.

Francisco Libânio,
13/02/14, 9:08 AM

1493 - Soneto com desespero

 
O tal Jó conseguiu absorver tudo.

Porque quando some paciência,
Aparece rápido dona Ansiedade
Dando o ar da graça à vontade
E sendo chata com experiência.

O problema é que na ausência
Dela, ao querermos vacuidade,
Não acontece. Aí a extremidade
Máxima surge sem clemência.

A pessoa se estertora, a espera
Sufoca. Admite-se. Jó foi a fera
E aguentou quietinho a porrada.

Já eu não sou Jó e esse soneto
É um Prozac pra me pôr quieto
E afogar essa espera angustiada.

Francisco Libânio,
13/02/14, 8:44 AM

1492 - Soneto com novas terras

Outro continente? Olha minha cara de quem acredita nisso!

Que o mundo ia além da Europa
Era sabido, pois já havia o Leste,
A China, a Índia da seda da veste
Dos nobres. Mesmo assim topa,

O nobre, a mandar povo e tropa
Para ir rumo a China pelo Oeste.
E vai Colombo enfrentar o teste
De sua tese e mete proa e popa

Ao mar, dá em terra como espera.
O mundo seja algo tipo esfera,
Talvez, como ele tinha em mente.

Mas o que Colombo não sabia
Nem aceitava, achava aleivosia,
Era sua Índia ser outro continente.

Francisco Libânio,
12/01/14, 12:15 PM

1491 - Soneto com silêncio

Daqui sai um soneto, hein?

Fecho-me em copas e aquieto
Meu coração para que eu redija
Mais um soneto. O barulho alija
Minha paz, por isso este veto.

Mas o silêncio nada traz. Soneto,
Rima, ideia. Está vazia a botija
De onde sai o que me regozija
Em sonetos. Um silêncio repleto

De gritos inaudíveis. Que bosta!
Achei que o silêncio fosse aposta
De júbilo, meditação inspiradora.

É nada! Desisto dessa quietude!
Meto um rock mudando a atitude,
Toro tudo e o soneto sai na hora!

Francisco Libânio,
11/02/14, 6:15 PM

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

1490 - Soneto com adoção

Porque se adotar uma anta que nem essa, o IBAMA multa.

Defende bandido, te sugiro:
Leva um pra casa e o adote
Aí o aprendiz de sacerdote,
De gratidão te dará um tiro.

Isso me diz um que inquiro
Ao defender pau e chicote
Para tratar com o molecote
Que do mal está a um giro.

É como ele pensa de cristão
Que diz ser e tendo a opinião
Cristã apoiando matar e bater.

E grande não é sua surpresa
Quando falo sobre a gentileza
De Jesus adotar um ao morrer.

Francisco Libânio,
11/02/14, 12:56 PM

1489 - Soneto com interesse demais

Porque amor real desvaloriza e é de terceiro mundo.

Posso gostar de você e se gosto,
Será sincero como será voluntário,
Será algo empático como solidário,
Um ao outro se colocará disposto

A ajudar e que nada seja imposto.
Ter que ajudar, abrir o calendário
Ao outro, negócio quase autoritário
Que de amigo vira o pior encosto,

De companhia vira uma penitência
Como você pra ele vira referência
De algo com quem quer a amizade.

Você nessa é intermediário, é meio
Para o fim, enfim é um prato cheio
Para quem diz ter e falta qualidade.

Francisco Libânio,
11/02/14, 12:26 PM

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

1488 - Soneto com desinteresse

Sério que você não gostou? Que pena, hein?

Não, não quero nada, somente
Nada. Talvez este meu soneto
Seja um desleixado completo
Sem querer nada e realmente

Não está nem aí e é coerente
Ao se espraiar neste quarteto
Olhando o leitor, aqui e quieto,
A esperar ler algo contendente

Que não vem. Oras, seu azar!
Esse soneto não veio ensinar,
Veio só encher espaço e papel.

O poeta, a quem o leitor pede
Solução, está de boa na rede
E é do soneto o escudeiro fiel.

Francisco Libânio,
10/02/14, 12:24 PM