quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

1487 - Soneto com letra a mais

Desculpa, amor, hoje não vai rolar.

Digo que estou muito tenso
E escrevo sobre tal tensão,
O leitor, dislexia ou gozação,
Fala sobre o prazer imenso,

Esse lance sexual e é denso
Em sua tese. Fez confusão,
Tirou uma letra e teve tesão
E seu discurso eu dispenso.

Tenho desejo e trato a libido
Como merece, mas, abatido,
Nada sobe e não tem musa

Negra e gordinha que dê jeito.
Há uma dor dentro do peito
E assim, até deusa ele recusa.

Francisco Libânio,
10/02/14, 10:28 AM

1486 - Soneto com meditação

Oooooomeeerda!

O sol da manhã é um aviso
De nova vida que começa.
De uma esperança expressa,
De fé e de novo improviso.

A manhã é o instante preciso
Para poder arejar a cabeça,
Ter cinco minutos sem pressa
E afastar de qualquer siso.

O dia começou e a semana
Também e a luta pela grana
Que não tem, ônibus lotado,

Encheção de saco do patrão,
Aquele cretino sem educação
E você vê e já está atrasado.

Francisco Libânio,
10/02/14, 8:18 AM

1485 - Soneto com serenata

Prepara!

Um hábito bonito, mas em desuso,
É a serenata para a mulher amada.
Cantava-se e ela ouvia da sacada.
O beijo ao seresteiro não é incluso

No pacote. Esse romântico abuso
Hoje decaiu. Quero ver a namorada
Atual curtir música que era cantada
Em serenata. Achará muito obtuso,

Coisa de velho, como até a serenata.
Pra ela vale algo que pouco se recata
E se for pra ser na rua, seja pra geral!

Abaixo a serenata, toca o baile aí, DJ!
Violões, calem-se! A batida virou a lei!
Vou procurar onde queiram meu recital.

Francisco Libânio,
09/02/14, 9:35 PM

1484 - Soneto com toque de amizade

O lance é estar do lado!

Pessoas especiais estão bem acima
De meras amizades, de ter afinidade,
De se identificar. Há algo de verdade,
Mesmo em briga, que une e sublima

As duas partes e garante bom clima.
Na falta de outro nome, usa amizade
Para chamar o que passa da lealdade
E do amor e deixa no chão a estima.

Pessoas especiais são sensacionais,
Pessoas especiais são tão especiais
Que me fazem ficar muito apaixonado.

O soneto que tem amizade em toque
Põe nela um ultramerecido enfoque,
Mas ela é um nada nesse misturado.

Francisco Libânio,
09/02/14, 12:51 PM

1483 - Soneto com eu misto

Ora, deixa o cara!

E se eu quiser as duas opções,
Homem e mulher, ou nenhuma?
Zero sexualidade, mais de uma?
Uma e outra serão aberrações

Sair por aí trocando as posições
Ou não. Fazer do sexo espuma,
Soprar e não ter seria, em suma,
Pecado, o pesadelo das religiões,

Dos normais e de quem não tem
Um pensamento que corra além
Do que é só porque tem que ser.

Deixo que aconteça. E se rolar,
Perfeito e se não nada de brigar.
Dia quero nada, amor ou prazer.

Francisco Libânio,
09/02/14, 12:05 PM

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

1482 - Soneto com eu feminino

E se eu me visto assim, sou puta? Ora, vá se...

Apaixona-se por homem e o pai fala,
Recomenda cuidado, ter pé no chão.
Pode ser um safado atrás de diversão
E chega para a gente cheio de gala.

Vem, corteja, paquera e se acasala.
Depois some e perpetua a situação
Mas que não fosse eu, mas o varão,
A fala seria outra. Aí o pai assinala

O filho que passa o rodo sem ter dó,
Que cobre várias como o galo carijó
No terreiro, pois quanto mais melhor

Pra homem. Já eu, testar sexualidade,
Escolher parceiro, saciar uma vontade,
Serei puta. Serei a vergonha, o terror!

Francisco Libânio,
09/02/14, 11:54 AM

1481 - Soneto com eu masculino

é mais pra foto, moçada.

Um homem que é homem, e macho,
Não pensa duas vezes, cai matando,
Vai pra cima sem porquê ou quando
Atrás de uma foda, um pega, cacho

Que beba a libido, sossegue o facho
E ao reunir com outros em seu bando
Recita com orgulho cada memorando
E compara com tamanho cambalacho

Se por acaso ouve que seu despojo
Foi de outro macho. Mede-se arrojo,
Atuação e vagabunda fica a parceira

Que deu pra dois. Quer exclusividade!
A turma solidariza, só que, na verdade,
Ninguém comeu, ficou papo e besteira.

Francisco Libânio,
07/02/14, 1:19 PM