quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

1483 - Soneto com eu misto

Ora, deixa o cara!

E se eu quiser as duas opções,
Homem e mulher, ou nenhuma?
Zero sexualidade, mais de uma?
Uma e outra serão aberrações

Sair por aí trocando as posições
Ou não. Fazer do sexo espuma,
Soprar e não ter seria, em suma,
Pecado, o pesadelo das religiões,

Dos normais e de quem não tem
Um pensamento que corra além
Do que é só porque tem que ser.

Deixo que aconteça. E se rolar,
Perfeito e se não nada de brigar.
Dia quero nada, amor ou prazer.

Francisco Libânio,
09/02/14, 12:05 PM

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

1482 - Soneto com eu feminino

E se eu me visto assim, sou puta? Ora, vá se...

Apaixona-se por homem e o pai fala,
Recomenda cuidado, ter pé no chão.
Pode ser um safado atrás de diversão
E chega para a gente cheio de gala.

Vem, corteja, paquera e se acasala.
Depois some e perpetua a situação
Mas que não fosse eu, mas o varão,
A fala seria outra. Aí o pai assinala

O filho que passa o rodo sem ter dó,
Que cobre várias como o galo carijó
No terreiro, pois quanto mais melhor

Pra homem. Já eu, testar sexualidade,
Escolher parceiro, saciar uma vontade,
Serei puta. Serei a vergonha, o terror!

Francisco Libânio,
09/02/14, 11:54 AM

1481 - Soneto com eu masculino

é mais pra foto, moçada.

Um homem que é homem, e macho,
Não pensa duas vezes, cai matando,
Vai pra cima sem porquê ou quando
Atrás de uma foda, um pega, cacho

Que beba a libido, sossegue o facho
E ao reunir com outros em seu bando
Recita com orgulho cada memorando
E compara com tamanho cambalacho

Se por acaso ouve que seu despojo
Foi de outro macho. Mede-se arrojo,
Atuação e vagabunda fica a parceira

Que deu pra dois. Quer exclusividade!
A turma solidariza, só que, na verdade,
Ninguém comeu, ficou papo e besteira.

Francisco Libânio,
07/02/14, 1:19 PM

domingo, 9 de fevereiro de 2014

1480 - Soneto com demonstração

E não se esqueça mais.

Este para algo que está perto
E esse se isso estiver o tanto
Mais longe, só que, entretanto,
Está com quem fala. O acerto

Se faz com a pessoa, é o certo.
Este e esse e lá no outro canto,
Longe, o aquele dá seu encanto
Afastado, longe só que esperto.

Este, esse, aquele e as pessoas;
Isto, isso, aquilo com dicas boas
Pra demonstrar esse tal pronome

Demonstrativo. Um soneto a mais,
Sem tema, mas de macetes legais
Para um negócio que fácil some.

Francisco Libânio,
07/02/14, 9:48 AM

1479 - Soneto com seu devido momento

Hoje tá difícil!

Este instante em que escrevo
Outro soneto, a hora é só dele,
A atenção. Deixo que modele
Um ao outro com o bom relevo

Que merecem. Eu apenas levo
Um ao outro e aí que se revele
Recíproco o tal negócio de pele
Sem ter pele. Faz-se o enlevo,

Casam-se comungando bens
E é quando dou os parabéns
Pelo feliz e propício consórcio.

Mas este aqui, já vi tudo. Veio,
A identificação foi um pau feio.
Na lua-de-mel se deu o divórcio.

Francisco Libânio,
07/02/14, 9:09 AM

1478 - Soneto com qualquer coisa

Nem vem!

O dia amanheceu quente, um calor
Horrível, insuportável, coisa doída!
Qualquer coisa a fazer será renhida,
O sol não deixa a nenhum dispor.

Escrever, a gente escreve com suor,
E é literal. Espera-se uma arrefecida
Na quentura, mas cada gota caída
De suado e cada baforada fica pior.

Querer um tema ao soneto é exigir
Demais. Não basta o clima a frigir?
Seja ele o tema e não se fala mais!

Até porque chamego, colo, abraço
Nesse calor é mais trocar mormaço
E eles seriam, assim, muito brutais.

Francisco Libânio,
06/02/14, 12:08 PM

1477 - Soneto com medo de escrever

Um vai vencer.

Sento-me para mais um soneto,
Na verdade, duelo a valer a vida.
O soneto dá a primeira investida
Um golpe certeiro com quarteto.

Acerta, mas assimilo e lhe meto
Outro quarteto. Guarda distraída,
Acerto também. A ideia atingida,
No entanto, em muito eu excreto

Inspirações. Um terceto me pega
E é esse golpe que me sossega.
Faço dele trampolim para a vitória.

Mando à merda o soneto. Tema?
Ele mesmo e esse seu problema
Em não contar com ideia aleatória.

Francisco Libânio,
05/02/14, 6:35 PM