quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

1429 - Soneto com recato algum

Às vezes, a falta de recato pode dar bons frutos

Quando vão embora o recato,
O respeito com a porra toda,
O cara na grosseria acomoda
E deixa livre a qualquer trato

A liberdade até de ser chato,
Mas o outro se acha o foda
E manda à merda, vira moda,
Vira humorista e fica gaiato.

E todo cheio das intimidades,
O fulano imagina as amizades
Com quem mal vê e conhece.

Aí se o mandam tomar no cu,
Fica ofendido, fica todo jururu,
Mas tomar no cu ele merece.

Francisco Libânio,
14/01/14, 8:23 AM

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

1428 - Soneto com algum recato

Com todo respeito, você está muito gostosa, viu?

Quando a liberdade faz respirável
Toda a situação, o recato é sinal
De educação e isso é primordial
Para ser, ao menos, respeitável.

Mas o respeito faz mais maleável,
A intimidade faz ser mais informal
E ambos tiram da relação um mal,
Destruindo esse hábito lamentável

De policiar uma possível grosseria,
De dizer algo que o outro não diria
Porque é um hipócrita e não permite

Que as coisas feias sejam faladas.
Mas a liberdade autoriza pauladas
E uma transgressãozinha com limite.

Francisco Libânio,
13/01/14, 8:17 PM

1427 - Soneto com muito recato

Olha o que você está falando!

Ser comedido com o que diz
Ou é educação, e isso é bom
Ou toca algo que, fora do tom,
Soa já fica na mira dos fuzis

Moralizantes, vira o chamariz
Dos que podem até o som
Da respiração e tem o dom
De não saber como ser feliz.

Nesse caso, o comedimento
É censura, é vil instrumento
Para calar. Toma-se cuidado

Ou a patrulha dos malas autua.
Por isso o soneto finda e atua
Calando o poeta desbocado.

Francisco Libânio,
13/01/14, 12:16 PM

1426 - Soneto com timidez

Deixa eu ficar a vontade...

Admiro que tenha desenvoltura
E desembaraço para expressar
Sentimentos, quem saiba falar
E saiba fazer disso bela figura.

No meu caso, a timidez segura
Um pouco e me deixa a desejar
Se quero dizer algo ou namorar,
E a voz sempre fica à procura

De palavras ou da hora exata
De falar, vira uma eterna cata,
Por isso prefiro ser um poeta.

Pensando bem, é bem melhor
Assim. No papel mato o pudor
E solto uma face mais secreta.

Francisco Libânio,
13/01/14, 8:32 AM

domingo, 12 de janeiro de 2014

1425 - Soneto com intensidade

Quero tudo! E muitas vezes!

Vontade que tenho? De fazer amor.
Mas fazer amor com aquela demora
Que compromisso vai tudo embora
E eu só paro se alagado pelo suor.

E depois desse ato, quero me pôr
Numa mesa repleta, de fora a fora,
Com culinária cheirosa e sedutora
Para o repasto com o capricho mor.

Depois de tudo, outra vez à cama
Agora dormir para aquieta a chama
De tanto exagero só o sono abusa.

Dessa forma coaduno essa taradice
Corporal-afetiva com minha gordice
E soneteio satisfeito a minha musa.

Francisco Libânio,
12/01/14, 3:05 PM

1424 - Soneto com indiscrição

Qualé, se até os poderosos dão uma secada de vez em quando...

Um olhar assim mais atrevido
A uma mulher assim atraente
Pode ter uma coisa indecente
Para quem olhou sem sentido,

Sem maldade sem ter a libido
No olhar, mas se fez diferente
E olhou com fome e contente
Merece castigo? Ser punido?

A maldade é menos maldosa
Se for sobre si conscienciosa
E souber até onde ela pode ir

Assim, só um olhar indiscreto
Ao decote ou ao traseiro ereto
Mais elogia que dá a se punir.

Francisco Libânio,
12/01/14, 12:49 PM

1423 - Soneto com intelectualidade

Segundo Carlos Castelo Joyce é o Djavan da Literatura. Concordo.

O tal auto-dito intelectual
Colocou Joyce no soneto
Para ser gênio completo
E flanar por aí de maioral,

Mas leu Ulisses no total?
Entendeu aquele dialeto?
Inglês de um grupo secreto,
Leu Finnegans Wake e tal?

Joyce pra ele é a cantora,
Ulisses o velho que fora
Num terribilíssimo acidente.

Mas mandou o superlativo
Para manter sempre vivo
Um jeito culto e indigente.

Francisco Libânio,
12/01/14, 8:56 AM