sábado, 4 de janeiro de 2014

1405 - Soneto dos impropérios

Um pouco de paz...

Quem reza alivia a alma, é fato!
Se aproxima do estado divino,
Dá a si um revigorante ensino
E em sua espiritualidade o trato

Necessário que se seja cordato,
Superior atrás de um cristalino
Nirvana, em busca de genuíno
Estado de paz de espírito nato,

Mas o mundo moderno e tenso
Esse corre-corre louco e intenso
Transformar e refazer de relações

Mais que um mantra e ave-maria,
Um belo tomar-no-cu tem a valia
Quase igual a nossos corações.

Francisco Libânio,
04/01/14, 10:03 AM

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poema de fuga 6

Apenas uma camiseta...

Vermelho comunista?
Sua visão é daltônica
No saber e na tônica,
Mas meus parabéns!
Tá perfeita a sua vista!

Francisco Libânio,
21/12/13, 11:46 PM

1403 - Soneto das idades

Apenas números.

Mulher madura e vivida, de quarenta,
Procura amor com idade compatível.
Tudo bem, a opção é compreensível,
Mas a exigência soa quase truculenta.

É idade que regule ou some e senta!
Relativizar, relaxar isso é impossível!
Quem que não se encaixa é passível
De um fora afetivo, então nem tenta!

Como disse, é a opção e se respeita,
Mas idade nem sempre é rima perfeita
Com maturidade, tem cada quarentão

Aí se achando na matilha o maior lobo
E é o puta pato enquanto um guri probo
Por uma linda loba se arde de paixão.

Francisco Libânio,
02/01/14, 6:16 PM

1402 - Soneto do dia dois

Ruim é  a sujeirada de ontem...

Passou o trinta e um derradeiro,
O dia primeiro, um bobo feriado,
E vem o dia dois, esse prezado
A anunciar o resto do ano inteiro.

Festa, ceia, rojão, foi até o cheiro,
Azia, preguiça, cozido, é de lado.
O dia dois já vem de lá mandado
Chegando e sem ser tão festeiro,

Pelo menos até chegar o carnaval,
Mas também sem ser o poço mal
Que imaginam esses pessimistas,

De qualquer forma é só outro dia,
Mas que merece herdar a alegria
E pôr as promessas já nas pistas.

Francisco Libânio,
02/01/13, 5:17 PM

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

1401 - soneto das sete ondas

E que venha o ano e sem os malas.

Sete ondas e o que muda? Nada
Flores ao mar e... ? Porra nenhuma.
A ramalhetada toda só avoluma
A poluição e a praia desarrumada.

Mas a superstição tão arraigada
Pode não se realizar, mas perfuma
A vida e que não dê. Já alguma
Simpatia se verificou lá realizada?

Iemanjá recebe de boa a oferenda
E pode ser que tudo isso ofenda
Os doentes em correição, crentes,

Ambientalistas e chatos em geral,
Azar deles e desse humor boçal,
Afoguem-se e seguirão indiferentes.

Francisco Libânio,
01/01/14, 8:40 PM

Poema de fuga 5

Algo maravilhoso.

Escrever ouvindo blues
É estranho, algo surreal,
Eu que não escrevo em inglês
Fico tanto incompleto
Não entendo mais nada
Por que eu gosto de blues?
Puxo rima forçada. Uso luz,
Palavra que veio a da vez
Enquanto divago e faço jus
Ao som e em português.

Francisco Libânio,
21/12/13, 11:40 PM

Poema de fuga 4

Difícil não ver.

Falei pra uma amiga
Dos peitos dela
Bonitos, atraentes
E que davam tesão.
Temi o machismo
Da fala e ela, tudo bem.
Só falou pra não ir além
E não fui, falei dos peitos
Dela e o assunto rendeu,
Mas aí algo meio se perdeu
E já não era mais eu.
Revelei meus piores defeitos
Quis pedir perdão a Deus,
Mas a amiga sumiu e dela
Ficaram os peitos, só os peitos
Que na verdade
Eram os seus.

Francisco Libânio,
21/12/13, 11:34 PM