quinta-feira, 7 de novembro de 2013

1268 - Soneto todo certinho

Disfarça e olha pro outro lado que ela tá olhando.

Mas andar com os peitos de fora,
Em qual realidade se permitia isso?
Mais que haja aí descompromisso,
Pegação e a luxúria por aí vigora,

Onde, que situação tão redentora
Não faria um pecado eterno disso?
Ou armaria mais moralista rebuliço?
Isso nunca aconteceria nesse agora,

Num mundo tão dado a moralizante
Que vê uma aberração por instante
Enquanto se ocupa ao ser o imoral.

Mas a mulher do peito nu, já se foi,
Toda tímida e sequer me deu um oi
E eu aqui ainda falo sobre essa tal.

Francisco Libânio,
06/11/13, 12:09 PM

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

1267 - Soneto sacana

Tá bom, a culpa foi minha que pensou maldade.

Olhar direto para os peitos
Da mulher a constrangeu.
Mas mais rubro fiquei eu!
Os dois em maus efeitos,

A vergonha e os trejeitos
De um que ao mal cedeu
E da outra que esmoreceu
E já repostos os respeitos,

Ela se despediu e naquela
Se foi. Outra olhada, bela!
Muito bela era tal senhora...

Mas acho que havia malícia
Pois não foi mera imperícia
Sair com os peitos de fora.

Francisco Libânio,
05/11/13, 7:09 PM

1266 - Soneto possivelmente racista

Já o Dulcídio Wanderlei Boschilia, todo mundo chamava de alemão ladrão e ninguém reclamava.

Apresentador deu o maior bafão
Ao chamar de negão um jogador,
Em elogio, e pegou fundo na dor
De quem vê em tudo a agressão.

Mas ora, bolas, era dito de negão
O Pelé, do futebol o craque-mor,
E muito mais ofensivo e agressor
Era chamar o Dulcídio de alemão,

E chamavam. Ele em sua resposta
Mandava à merda, mas hoje, posta
A cartilha dos doutores em morais,

Tudo ofende, tudo é causa de briga,
Até um termo que muito se bendiga,
Alguém. Nem pode se elogiar mais!

Francisco Libânio,
05/11/13, 11:28 AM

terça-feira, 5 de novembro de 2013

1265 - Soneto mater-pecador

Pelo menos, respeite...

A preguiça é a mãe dos pecados.
Tenho dúvidas e isso questiono.
Difícil pecado candidato ao trono,
Todos estão em rigor igualados.

Mas a preguiça tem os cuidados
De ser como um tranquilo outono.
Afinal se o preguiçoso tem sono,
Os demais males estão afastados.

Quem dorme não come ou inveja;
Não se estressa ou regula e, veja,
Deita na cama, não trepa. É santo!

Assim, a preguiça devia ser virtude,
Aumenta e fortalece a beata saúde
E faz da alma o mais puro encanto.

Francisco Libânio,
05/11/13, 8:12 AM

1264 - Soneto desregrado 2

Uma hora pifa.

Por outro lado, o vizinho era aquele
Que cada dia um dia, horror à rotina,
A mínima repetição fácil o desatina,
Era pior que urticária a coçar a pele.

Não há regra que o tome e o atrele,
Não há costume, houver ele fulmina.
Ter dias iguais é coisa pra menina
Eu quero emoções novas, dizia ele.

Assim foi a vida toda, uma novidade
Por dia, fosse prazer ou calamidade,
O que valia era o ontem ser diferente

Do hoje. Um dia, toda essa emoção
Cansou o corpo e fez freio o coração
E agora tudo seria igual eternamente.

Francisco Libânio,
04/11/13, 5:30 PM

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

1263 - Soneto metódico

Não adianta nada...

Como se fosse obrigatório, ritual,
Acordava às seis e meia em ponto.
Ao relógio nunca havia desconto,
Cara lavada, café da manhã frugal,

Pão e leite. Exagerasse faria mal.
Às oito estava no trampo, pronto,
Engomado, listo para o confronto
Diário. Às seis, no rigor, punha final

Na jornada. Não tinha uma fresta
Para o desregramento, uma aresta
De improviso, ele já punha morta.

Foi tamanha a correição no porte,
Que seu coração, tido por forte,
Desobedeceu, rebentou uma aorta.

Francisco Libânio,
04/11/13, 12:00 PM

1262 - Soneto nada interessante

Tem hora que a segunda começa assim...

Pensar que a segunda é chata
É lugar comum, tem certa razão.
Mas se fica só nesse diapasão
Como que a realidade se retrata?

No fim, a crítica é mais caricata
Que de coração. Forma de vazão
Para a nossa raiva e, de antemão,
Já se caceteia a segunda na lata.

A mim, a segunda até desagrada,
Menos por uma semana iniciada
E mais por parecer a continuidade

De um domingo chato de natureza
De não ter um soneto que se preza,
E continuar na segunda a ruindade.

Francisco Libânio,
04/11/13, 8:04 AM