domingo, 3 de novembro de 2013

1261 - Soneto pós-churrasqueado

Depois de uma dessas,  o que mais querer?

Que uma sesta cai bem, eu já disse.
Mas o que é bom fica ainda melhor
Se o que a antecede é o resplendor
De uma bela carne à minha gulodice.

Não deixo que nada se desperdice,
O assado me revigora com o sabor
E a tonalidade com sangue na cor.
Perdoe-me o vegan e sua crendice

De crueldade com outros animais,
Mas se rola um churrasco é mais
Que eu quero comer e mais sesta

Quero curtir. Pois não há a delícia
Boa como tal violência alimentícia
Que será feita enquanto há fresta.

Francisco Libânio,
03/11/13, 3:01 PM

1260 - Soneto fartamente abraçado

É do jeito que eu gosto!

Que me agrada a massa farta
Numa mulher não é novidade.
E se for, conto à comunidade
Que não sabia, pois que parta

Sabendo. Gordura até enfarta,
Eu já sei. Mas é da intimidade
Que a massa tem sua validade
E seu prazer. Então não aparta

Se me ver abraçando a gordinha.
Deixa eu curtir e se sair da linha,
Do abraço a coisa bem evoluir...

Nem se meta. É o que eu quero!
Não tem amor com mais esmero
Que o de uma fat! Deixa eu curtir!

Francisco Libânio,
03/11/13, 9:16 AM

1259 - Soneto do dia dos vivos

Afinal, merecemos!

Dia dois de novembro é Finados,
Dia dos mortos e da homenagem
Para os que, já feita a passagem,
Nesse dia são muito lembrados.

Mas ido Finados e rememorados
Os entes queridos, vai a rodagem
Da vida nessa agradável viagem
Até termos as visitas nos feriados.

Enquanto não vem, segue normal
A vida e faz-se este dia por oficial,
O dia dos vivos, vale ele também,

Uma homenagem, um bom tributo.
Abre-se o sorriso, fecha-se o luto
Enquanto a tal da morte não vem.

Francisco Libânio,
03/11/13, 9:03 AM

1258 - Soneto exasperado


Aqui dá pra soltar!

Entende-se tudo ou quase tudo,
E tudo ou quase tudo se releva,
Às vezes vem algo que entreva,
A paciência me força a ser mudo,

À vezes surdo e ainda carrancudo,
Mas deixa. A sabedoria nos eleva,
Dizem, e reagir acaba sendo treva
Que serve bem menos de escudo

Que de destruição. Precisa ser zen,
Precisa saber assimilar muito bem
Essas porradas que a vida nos dá.

E aqui no soneto essa calma acaba,
A santidade cessa e a casa desaba,
E quem tiver que ir à merda, que vá.

Francisco Libânio,
02/11/13, 11:24 AM

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

1257 - soneto santificado

É gente demais.

Cada santo tem um dia, cada dia
Tem seu santo, assim fez a Igreja
E assim cada fiel o santo festeja
Já que o calendário dá tal alegria.

E se já existe essa sacra primazia
Por que novembro vem e despeja
Um dia pra geral, o santo que seja
Lá do panteão de toda hagiolatria?

Soneteei já santos os quais a Sé
Não reconhece embora neles a fé
Dediquei a eles o tributo honorário

Que o Papa esqueceu, e entendo,
Com tanto santo sendo reverendo
Por aí sobra santo, falta calendário.

Francisco Libânio,
01/11/13, 12:45 PM

1256 - Soneto antidelgado

Falou bobagem, moça!

Defendeu, a tal Isabela Fiorentino,
A manutenção e louvor à magreza,
Criticou com disfarçada aspereza
A fartura privilegiando o franzino,

O fininho e dito modelo genuíno
E delgado do que se diz beleza.
Ora, moça, desça dessa certeza
Estúpida e vencida. Eu declino

Da opinião, osso é pra cachorro,
E é à carne farta a qual recorro
Se quero me saciar ou ser feliz.

Seja como refeição seja mulher,
A massa é que dá aquele prazer,
Não há sensatez no que se diz.

Francisco Libânio,
01/11/13, 8:09 AM

1255 - Soneto sestado

Vem em boa hora.

Após o um lauto e puta almoço,
Invoco e invento o lado espanhol,
Numa Prudente, que é rica em sol,
Dou um tempo em todo alvoroço,

Me arranjo o melhor que posso
Fecho a janela àquele solar farol,
Arrumo a cama, puxo ali o lençol
E é ali mesmo que me emposso.

Sono longo, não. Só um pit-stop
Pausa de tempo que vai a galope
Para recomeçar tudo do parado.

Um ronco breve, Bendita Espanha!
Inventou a sesta, ótima artimanha
De repor o que já estava cansado.

Francisco Libânio,
31/10/13, 12:25 PM