segunda-feira, 5 de agosto de 2013

1162 - Soneto conformadinho

Legal sua poesia. Mostra pra sua namorada. Conselho de amiga.

Da falta de tato e de contato,
O poeta faz a boa inspiração,
Soneteia algo sobre atração
E goza, mas goza de gaiato.

Se soneto não rima com ato,
Primeiro soneteia à exaustão
E depois o ato, consecução
Falha. Saiba, pois, é boato

Que poesia garante trepada.
Talvez a romântica cantada
À mulher dê algum sucesso.

Já a lira do Chico, nem gripe,
Nem mulher e menos acepipe
Sexual. Então me despeço.

Francisco Libânio,
05/08/13, 10: 40 AM

sábado, 3 de agosto de 2013

1161 - Soneto oportunamente renomeado

E ladrões são os do tal mensalão... Esses participam de cartel.

Um rouba e o outro rouba mais
Deixando o primeiro com inveja.
Mas o segundo vem e apedreja
O primeiro com diversos avais.

Um é corrupto, corrupto demais!
O segundo de bom ardil maneja
Apoio da justiça e até da Igreja,
Assim o primeiro sofre os tais

Julgamentos mais impiedosos,
Sumários e se safam poderosos
Que roubaram de boa, protegidos

Só que uma hora esse jogo vira
E fica cartel. Corrupção se retira,
Fica feio esse nome aos bandidos.

Francisco Libânio,
03/08/13, 5:45 PM

1160 - soneto cheio de mãos

Como recusar?

E beijar os pés da mulher comigo
Foi bom, ela resolveu vir e inovar.
Sem me dar nada a me esbaldar,
Resolveu me impor esse castigo.

Não a pés ou peitos. Nem umbigo
Ela me deu. Pôs se a me acariciar
E deu as mãos para me provocar
Me enchendo assim a boca. Brigo?

Nunca. Eu chupei feliz cada dedo.
Sei o que ela queria por arremedo,
Mas não os vi lá como ela sugeria.

De qualquer forma, entre carícias
E chupões e outras tantas delícias
As mãos dela enchiam de alegria.

Francisco Libânio,
03/08/13, 11:54 AM

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

1159 - Soneto descobridor

Uma delícia.

A mulher de quem bem-quis
Os pés, como Mattoso fosse,
Praticamente se fez de posse
Minha. Amou isso, pediu bis,

Gozou loucamente e tão feliz
Estava que foi amável e doce.
Os pés, que eu lamba e roce
Com a boca ao que ela bendiz

O gesto. Eu nunca vi os pés
Como ponto de beijo, rapapés
E sacanagem e revi conceitos.

Já agora espero que a parceira
Curta neles sensual brincadeira
Como eu curto uma nos peitos.

Francisco Libânio,
02/08/13, 7:11 PM

1158 - Soneto erradamente certo

Você ia errar, admita.

Aí o cristão descobre que muçarela
É certo e mussarela é muito errado!
A princípio causa algum desagrado
Com a nova palavra ao assim lê-la

E engolir uma cedilha feia pela goela.
Mas paciência. É o termo apropriado
Para o italiano que foi aportguesado
E é, em seu original, bela mozzarella.

A língua portuguesa e suas surpresas...
O costume pôs em nossas mesas
Um erro crasso, algo quase acintoso,

Mas comemos o erro mesmo assim,
Muçarela, certo, ou mussarela, enfim,
Vale que o queijo sempre é delicioso.

Francisco Libânio,
02/08/13, 12:00 PM

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

1157 - Soneto bom pra rato

Mesa dos sonhos!

Entre os tipos de aperitivos,
Um, sobretudo, muito seduz
E atiça meu espírito avestruz
A meus arroubos excessivos.

E então, eis queijos atrativos
De várias curas surgem à luz
Dos meus olhos. E aí conduz
Meu apetite seja em furtivos

Gestos, pedaços comedidos
Seja em golpes desimpedidos
E fatais às peças indefesas.

Gouda, ementhal ou muçarela,
Venha de lá a peça e farei dela
Rango sem poupar as belezas.

Francisco Libânio,
01/08/13, 8:00 PM

1156 - Soneto a gosto

Começou!

Por que ao chegar o oitavo mês,
O ano, finalmente põe um gosto
Em seu cardápio? Um suposto
Fino prato de um chef francês?

Mas agosto tem lá seus porquês,
Um é sobre o tal nome proposto.
De um imperador, e assim posto,
O nome virou mês no português,

Foi corruptelado e bem adaptado,
Mas o gosto, não sei se foi azado,
Pois há certo amargor no tempero.

Já eu o encaro como encaro o ano.
Não tem a graça do prato italiano,
Mas ponho molho e vou ao exagero.

Francisco Libânio,
01/08/13, 12:03 PM