terça-feira, 2 de abril de 2013

882 - Soneto ao deus-deu

Aproveita, meu filho, é a ideia da hora. Fresquinha. Agora, se vira.

Ideia, quando aparece assim do nada,
A gente aprecia e trata com a estima
Necessária para que ela se exprima
E traga mais ideias pra essa parada.

Assim, se fica da poesia amasiada,
Vai que brota das duas a obra-prima!
Pois se ela foi presente lá de cima,
Pode apostar que ela é abençoada!

E até aqui a ideia que Deus mandou
Rendeu duas quadras e ainda amarrou
Um terceto que, digo, é convincente.

Mas, se obra prima a ideia não rendeu,
Um soneto a mais, ao menos. Digo eu
Então: À ideia dada não se olha dente.

Francisco Libânio,
02/04/13, 2:28 PM

881 - Soneto da ditadura gay

Ditadura, mas sem esse rosa, que é muito out, muito pãozinho de ontem.

De tudo que é escabrosidade,
De toda falácia em argumento
Que vai e voa a qualquer vento
Louco de uma tal religiosidade

É chamar a busca de igualdade
De ditadura gay. Um momento!
Ao se opor, vá ao enfrentamento,
Mas com argumento de verdade!

Ditadura gay é ilusão. Não existe!
Mal chega a ser péssimo chiste
De quem vê em tudo vil apologia.

De qualquer forma, o que bem sei
É que prefiro a alegre ditadura gay
A qualquer que seja triste teocracia.

Francisco Libânio,
02/04/13, 8:54 AM

segunda-feira, 1 de abril de 2013

880 - Soneto do Camões conivente

Nada não, mas acho que a Comissão da Verdade devia investigar o Camões por colaborar com a ditadura.

Nos tais anos de farda, era batata!
A notícia de gazeta sempre dividia
Espaço com receita ou com poesia
De Camões, e não importava data,

Ou assunto. Elas eram uma errata
Oportuna tapando o que não podia
Ser falado. Era a bela democracia
Da época que hoje não se contrata.

E... Começa de servir outros sete anos,
Dizendo – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

E deixa dourar. Em fornos medianos,
Dez a quinze minutos. Ideal pra hora
Do lanche. Pros amigos, boa pedida.

Francisco Libânio,
01/04/13, 7:39 PM

879 - Soneto da ditabranda

Taí uma turma que entende de democracia e sumiu com os que não entendia. Se não voltaram pra casa não foi culpa desses senhores.

Há por aí quem diga que a Ditadura
Militar não foi o diabo que se pinta.
Que não matou e só bateu de cinta
Enquanto em Cuba tinha mais agrura,

Mais cana, mais morte, mais tortura...
Aqui no Brasil, a coisa fiava distinta.
Claro, há a estatística que desminta,
Mas quem defende essa tal loucura

Nem Ditadura a chama. É Ditabranda.
Uma ou outra, qualquer foi nefanda
Seja em Cuba, no Chile ou no Brasil.

Mas se ser menos violenta justifica
E em grau de porradaria as classifica
Volte junto com os seus para o covil.

Francisco Libânio,
01/04/013, 4:14 PM

878 - Soneto por versão oficial

Alá um cara protestando contra a Democracia. Suicida ele!

Os mortos e os presos assassinados
Que, para a convencional laia tirana,
Tiveram isquemia, mesmo enforcados,
Ou se suicidaram e assim os explana.

Para os jornais pondo por avisados
Os que vierem ter essa ideia leviana
De tentar algo contra os abnegados
Milicos. Preferem a ditadura cubana?

Comunistas! Os próximos serão vocês
Que de comuna só terão um polonês,
Corredor, e nós a fazermos as carícias.

E quem falar que isso é despotismo,
Juntamos a vocês. Só o comunismo
Mata a oposição. Não lê as notícias?

Francisco Libânio,
01/04/13, 12:58 PM

877 - Soneto da segunda pós-feriado

Ah, chefe, foi o trânsito...

Depois do tamanho engarrafamento,
Da praia lotada, do breve descanso,
Ou de alguns dias a afogar o ganso
Com o cônjuge dando ao casamento

Um gás melhorando o relacionamento,
A segunda, pé em pé, passo manso,
Entra cuspindo no chão com o ranço
Para gritar: Chegou o meu momento!

Páscoa, ovo de páscoa, ressurreição...
Tudo ficou pra trás. Agora pé no chão
Que a semana começa e tá uma fera!

Então dá um beijo em quem tá ao lado
Na cama, toma seu café bem acelerado
Que o chefe, de cara fechada, te espera.

Francisco Libânio,
01/04/13, 12:24 PM

876 - Soneto mentiroso

Coisa de desocupado

Dia primeiro de Abril, dia da mentira.
Não conheço nada a ser mais cretino.
Fomentar o falso, ainda o pequenino,
O inocente é para quem o mal admira.

Brincadeira inocente? Ah, não delira!
Mentir é o que tem de mais cristalino
No mau-caratismo e o pior desatino
E mentir, até de mentirinha, não vira.

Quer brincadeira no primeiro de abril?
Seja sacado e crie uma que seja sutil,
Sem mentir, induzir ou tentar enganar.

E se não concorda com nada disso
Continue com esse belo desserviço
Ou arrume bastante roupa pra lavar.

Francisco Libânio,
01/04/13, 8:19 AM