terça-feira, 5 de março de 2013

787 - Soneto destitulado

Soneto sem título, figura casual...

Não que escrever sonetos seja problema.
Sonetear é um prazer, quase uma terapia,
Mas se a inspiração em versos se desfia,
Mais dificuldade ela tem quando um tema

Se faz preciso achar. Pinta aquele dilema.
Sobre o que escrever? Que me traz o dia?
Até que se ache me recuso a fazer poesia.
Eu sei, parar por falta de título é extrema

Mesquinharia, mas taí um certo capricho.
Soneto sem título, esse bobo enrabicho.
Me impede de escrever. É a minha trava.

Tipo esse soneto escrevo. Nome não tem,
Mas vai saindo. Pode ser que fique sem,
Mando, assim, meu entrave para a fava.

Francisco Libânio,
05/03/13, 6:16 PM

segunda-feira, 4 de março de 2013

786 - Soneto réprobo

E contra ele? Nada?

Interessante ver essas coisas, como são.
Ministro do Supremo, máxima autoridade
Judiciária, exige do sistema a celeridade
Que falta contra um Procurador da União.

Também toma dado caso de corrupção
E julga. À Imprensa agrada ter a verdade
Mostrada, mas não trata com igualdade
Quem rouba e é amigo ou é da oposição.

Sim, todo roubo é digno da mais sumária
Condenação, mas quando ela é arbitrária
Contra o inimigo daquele que se põe juiz

Ou salvando os amigos do mesmo sujeito,
A condenação não devia ter algum efeito
Além de se estender contra quem a diz.

Francisco Libânio,
04/03/13, 12:07 PM

domingo, 3 de março de 2013

785 - Soneto que ama uma mulher gorda

Muito gata a mocinha!

E quem fala, denigre a mulher mais cheia,
Mais rotunda, com alguns quilinho a mais...
Pobre pessoa! Diz lá bobagens colossais,
Velhos ditados cita e depois parafraseia

Músicas e mais: Repete bobagem alheia
Com a boca cheia. Leio e lamento demais.
Não pega a gostosa dos sonhos e jamais
Pegará a gordinha gostosa. Seria areia

Demais para o pobre jegue em que monta,
Por que nem caminhãozinho ele dá conta.
E uma gordinha, para ele, é louro imerecido.

Quanto a mim, que gosto, aplaudo, desejo,
Se uma me agrada, chego e já a cortejo
Vai que de tanto pedir, Deus deu ouvido...

Francisco Libânio,
03/03/13, 9:54 AM

sábado, 2 de março de 2013

784 - Soneto que ama uma mulher peituda

Não sei como não se gosta.

Mas afinal de contas, o que são os seios?
Além da finalidade natural da maternidade,
Qual escopo, função deles, na realidade?
Creio que servir às vaidades, aos recreios

E às perversões. A vaidade põe recheios,
Os recreios olham, é da outra a finalidade,
E as perversões encetam neles a maldade
Desejando praticá-la de todos os meios.

Não vejo dessas formas, absolutamente!
Quem gosta deles contempla a presente
Beleza que há neles, seja ou não, natural.

Assim, os seios femininos, qual tamanho
For, agradam. Se isso ainda soa estranho,
Lamento. Algo por aí está bastante mal.

Francisco Libânio,
02/03/13, 4:46 PM

783 - Soneto que ama uma mulher bunduda

É linda, mas não é só isso.

Sujeito que curte uma bunda bem acabada
Certamente não faria uma poesia sobre ela.
Pensaria em tirar logo o short a escondê-la,
A beijar muito, passar sua mão toda tarada

E depois, meteria fim em toda a frescurada
Metendo uma pentada violenta ali a comê-la.
Sujeito que curte uma bunda dá a chancela
De qualidade se a dita cuja for da apertada.

Da minha parte, não sou de dispensar uma
Que me faça agrado do tipo que se avoluma
Enchendo minhas mãos na hora da carícia,

Mas uma bunda merece minha admiração,
Algum elogio e tributo carnal, por que não?
Mas sem se fixar nela ou despejar malícia.

Francisco Libânio,
02/03/13, 9:26 AM

sexta-feira, 1 de março de 2013

782 - Soneto que ama uma mulher negra

Com cabelo natural porque liso enfeia.

Falar da mulher negra, chama-la “de cor”
É estranho. Além da pele, sim, escurecida,
A cor dela é a mesma durante toda vida
E nós, brancos, colorimos seja no calor

Seja no frio seja por fome ou por temor.
Agora na mulher negra, a cor só lapida
A beleza, Com um charme que convida
A muito mais que somente trocar calor,

Ir pra cama, provar em ares de exotismo
A mulher negra, estereotipada ao erotismo
Que a cor inspira aos brancos ignorantes

Com dons colonizadores. Vença-se isso,
Sem ter o que domine ou seja submisso
E terá um amor que nunca se teve antes.

Francisco Libânio,
01/03/13, 8:32 PM

781 - Soneto que ama uma mulher branca

São lindas mesmo.

A alvura da pele... Será que é escandinava,
Germânica? Exemplo da tal raça ariana?
Não sei. A brancura lá pela Europa flana
Livre e desimpedida. Ela pode ser eslava,

Ainda que a mídia há muito seja escrava
Dessa beleza branca e faça dela humana
Perfeição, há sim beleza que dela emana,
Não sendo única e muito menos a oitava

Maravilha, mas fato: A láctea pele branca,
Se loira, morena ou ruiva, facinho arranca,
De quem a admira o que bem ela quiser.

A alvura da pele, essa europeizada pele,
Seduz o admirador e aí se entrega a ele
Para conduzi-lo ao mais absoluto prazer.

Francisco Libânio,
01/03/13, 12:26 PM