quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

713 - Soneto avarento

Tira o zóio!

Que a mão não abra nem pro bom dia,
E o mais simples pedido seja negado.
Amor ao próximo é engodo do pesado
E não dá camisa, ao contrário, só vicia

Que o nosso não seja a palavra guia
A pedidos alheios e o sim seja dado
Às retóricas negativas. Ver acabado?
Sim. Acabe-se e me dê essa alegria!

O meu é meu e o seu, se você piscar,
Será meu também. No primeiro lugar
Venho eu. Não importa como e quem.

Do meu nada terá, do seu quero tudo.
Bondade só s desculpa ou se escudo,
Apenas visando mal é que farei o bem.

Francisco Libânio,
09/01/13, 1:05 PM

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Caso de Festa

Pode ser ou tá difícil?

Eu sempre me achei o rei da distração e o príncipe das gafes. E quem me conhece sabe que só tenho essa cabeça porque ela está grudada ao pescoço. Não fosse isso, eu a teria perdido em algum lugar desde 1995. Mas devo admitir que perdi o trono ao saber da história de um amigo meu.
Assim como eu, ele também não é de festas ou baladas, mas tanto fez um outro amigo dele que, tá bom, vai, vamos a essa festa que você quer ir.
- Você vai curtir, tenho certeza. – o amigo o entusiasmava.
Não sei que festa era essa. Só sei que era num condomínio aqui de Prudente. Coisa fina. Só os figurões. Quem promovia a festa era um colega do amigo que chamou o meu amigo esquecido. Cardápio só com iguarias. As conversas rodavam os mil, não raro milhões, de reais. Meu amigo distraído foi apresentado para o dono da casa Feitos os rapapés, meu amigo contou que apesar de todo ouro e prata da festa, ele se sentiu deslocado. Além de não gostar de aglomerações (que, para meu amigo, são mais de três pessoas numa sala), o negócio estava um grande pé no saco, com o perdão do meu francês. Meu amigo não conhecia ninguém no recinto e o amigo dele tinha que fazer o cordial, o profissional frente a uma turma com que, notava-se, ele não simpatizava.
Meu amigo deu uma volta, outra e mais outra. Comeu um camarão, tomou um coquetel e depois bebericou um uísque. Vinha um puxar papo, mas a conversa era um porre que só Jesus. Nada salvava na festa. O amigo bem que tentava o enturmar, mas a conversa caía nas cifras e aí já viu. O anfitrião vinha e perguntava qualquer coisa e ele dava aquela resposta padrão, sem querer estender. Enfim, o negócio parecia nunca acabar.
Quando meu amigo chegou discretamente no amigo dele pra dizer que já deu, o outro estava muito bem encaminhado com uma daquelas moças em que Deus fez com toda a inspiração. Ou seja, se ele quisesse ir embora, que arrumasse um táxi.
Fazer o quê? Ligue-se para um táxi e acaba logo com isso. Quando estava no seu celular, meu amigo ouve seu nome sendo gritado de forma eufórica. Ele não podia acreditar. Finalmente aparecera alguém que ele conhecia. Era a Nandinha, que ele conhecia dos tempos de colegial e não via há muitos anos. A noite começava a melhorar. E melhorava bastante. Os dois colocaram a conversa em dia. E a coisa estava, realmente, melhorando. A moça, que ainda tinha a beleza que deixava a molecada toda eriçada no colégio, começava a dar um ponto descarado para meu amigo que, solteiro, não via por que não corresponder. Assim, a coisa fluía bem e a moça que, diga-se, era receptiva, mas não oferecida, curtia a corte que meu amigo fazia. Foi quando meu amigo resolveu mandar a cartada decisiva:
- Poxa, Nanda, a conversa com você tá excelente. Você salvou minha noite. Vim pra cá porque meu amigo insistiu pra caramba, mas você me conhece. Nunca fui muito a fim de festa e essa grã-finagem toda, vou te contar, menos ainda. Festa chata pra demais. Me arrependi de ter vindo. Vamos pra algum lugar mais divertido, sem tanto smoking, sem essa coisa toda.
Nandinha agradeceu, mas recusou. Queria muito estender a noite em algum outro lugar, mas não podia:
- Sou esposa do dono da casa.

Francisco Libânio,
08/01/13, 9:03 PM

712 - Soneto guloseimeiro

Essa ninguém resiste!

Ok, de refeições de prato farto
A gula se compõe, mas controla,
Se recompõe e logo se empola
E, quanto a elas, dela me aparto,

Mas tira os pratos e aí eu enfarto!
Vem os doces e isso me assola!
A gula, que era menos que marola,
Vira tsunami. Não consigo! Parto

Voraz aos cajuzinhos e brigadeiros;
Pavês, bolos, como-os inteiros!
A mesa não dá nem pro começo!

O mal da gula é esse, o alimentar,
O necessário, até dá pra segurar,
No açúcar que está seu sucesso.

Francisco Libânio,
08/01/13, 8:14 PM

711 - Soneto gulosador

de pouquinho não dá nada...

Porque se gula é pecado capital,
Nada a obstar o oportuno belisco,
Da tempestade bebo o chuvisco,
Não há erro numa pinçada frugal.

Assim, a conferida providencial
É livre. Vou lá, rapidinho, e trisco
Um bolinho, uma fatia, um petisco...
Pouquinho para ser convencional,

Mas aí a consciência, já na décima
Tascada, olha feio e aí na trigésima
Pergunta “Pensando que sou idiota?”

Mas é uma mordida, poxa, me libera!
Liberaria, diz, não fosse a paquera
Insistente que te extrapola toda cota!

Francisco Libânio,
08/01/12, 7:30 PM

710 - Soneto guloso

Vem que eu traço!

Hoje, o que tem? Leitão, picanha,
Frango assado, muita batata frita,
Muita caloria com gordura irrestrita
Para satisfazer a inquietável sanha

De comer. De entrada, a lasanha,
Pratos principais a lista acima dita
E ainda pode fazer bela marmita
Para comer mais tarde, na manha.

A mesa farta e o banquete variado
São deleite e talvez sejam pecado,
Mas vai resistir? Vai deixar passar?

Se tem picanha e leitão, dessa parte,
Sinto muito. Não haverá o descarte
Em nome de fé. Venha e vou traçar.

Francisco Libânio,
08/013, 12:44 PM

domingo, 6 de janeiro de 2013

709 - Soneto de reis

Estrela? Presentes? Que história é essa? Nunca vi vocês antes! Saiam daqui ou chamo a Polícia!

Coisa estranha é esse seis de janeiro,
Dia de Reis. É o tchau pra decoração
Natalina. Fim da volta de apresentação
Do ano novo. Acaba o tempo festeiro,

Mas antes, o dia parecia mais fagueiro,
Mais alegre. A turma tocando violão,
A folia de reis? Cadê? Cadê tradição?
Adiou tudo pra quando vir fevereiro?

Estranho... Ouço os velhos sobre o dia,
Parecia algo mais cheio de alegria
E hoje não tem uma violinha sequer.

Mas pensa. Se fossem à manjedoura,
Para os reis sobraria uma vassoura,
Estranho em casa hoje ninguém quer.

Francisco Libânio,
06/01/12, 8:23 PM

sábado, 5 de janeiro de 2013

708 - Soneto do primeiro sábado do ano

Se, pelo menos, tivesse praia...

Primeiro sábado do ano, legal!
Mas todo Janeiro em Prudente
É bem vazio. Negócio ausente,
E fica aquele tédio bem trivial...

Ao poeta, que não faz quintal
Da noite, esse sábado quente
Propicia um sonetinho inocente
Nada majestoso, nada maioral

Mas que faz com que corra
O tempo. Inspiração não jorra
E ao sono não quero ceder.

Pena... A noite não é das piores,
Mas melhorava com as cores
E os beijos de uma bela mulher.

Francisco Libânio,
05/01/13, 10:26 PM