sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

707 - Soneto acostumado

Ah, os cartões de boas entradas que me mandam em Janeiro...

E a semana entra por entre o ano
Novo sem ter qualquer cerimônia
Azar que a entrada traga insônia
Preocupação, nervoso ou dano.

Ano veio com festa, fogo, ufano,
E passado tudo, na parcimônia,
Os males diários fazem colônia
Aqui e ali e eclodem mais tirano

Que o outro. Janeiro preocupa,
É nossa grana indo pela garupa
Dos Is que batem à nossa porta.

Todo ano é assim, então planeje.
Deixe que o ano novo mal viceje
E o receba com uma bela torta.

Francisco Libânio,
04/01/12, 10:55 PM

706 - Soneto repensativo

De uma entortada no sinal. Sempre.

O maior mal que tem é a Certeza
A Dúvida o pior monstro a bater,
Com a segunda prestes a nascer,
A primeira vê a sua grandeza

Ameaçada e ruge com brabeza
Pondo-se como fosse defender
A outra, mas quer fazê-la parecer
Má. A Dúvida louva a gentileza.

A Certeza crê que isso a fortalece,
Mas de algo sério ela se esquece
Quanto mais forte fica, mais aberta

À Dúvida e daí à queda, é passo!
Por isso reflito tudo o que faço
Sem com a dúvida e a coisa certa.

Francisco Libânio,
04/01/12, 12:17 PM

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

705 - Soneto admoestado

Só se jogar não adianta nada.

É claro que o ano que chega
Traz oportunidade a cada dia,
Nunca, jamais que eu negaria.
A esperança jamais se nega.

Errado está o que se apega
À Esperança duma forma fria,
Joga-se a ela com tal alegria
E acha que ela, alegre, carrega

Para o mais absoluto sucesso
E quando acorda vê o avesso
Culpando tudo pela má sorte.

Este soneto espera, mas sabe
A Esperança mui melhor cabe
Quando o empenho se põe forte.

Francisco Libânio,
03/01/12, 10:31 PM

704 - Soneto resolutivo

Será que dá pra fazer tudo num ano só?

E nesses primeiros dias do ano
A quantas andam as resoluções,
Suas mudanças, suas decisões
Feitas com aquele ar soberano?

Se sente melhor de todo dano?
Vieram as primeiras variações?
Ou frente algumas imprecações
A ideia entrou logo pelo cano?

Eu sei que mudar é imperativo,
Mas que tal impor o gradativo
E paulatino ao que é repentino?

Assim, proponha já a resolução
E dia a dia cumpra sua missão,
Veja-se mudado no dia natalino.

Francisco Libânio,
03/01/01, 12:33 PM

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

703 - Soneto normal

E a vida recomeça...

Quando se volta à normalidade
Após festejos e cumprimentos,
Após votos e todos os alentos,
E após intenções de bondade

É que se topa com a realidade,
Com a rudeza, maus momentos,
E podridão pelos quatro ventos,
Como será ser bom de verdade?

Ano novo começa exato e igual
A todos, mesmos vício e mal,
O feriado foi pura propaganda.

Então o melhor é seguir a vida
Em paz na toada louca e corrida,
Afinal, pra frente é que se anda.

Francisco Libânio,
02/01/13, 12:37 PM

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

702 - Soneto pós-ceia

Azar é não saborear um desses.

Peru cisca pra trás, dá azar,
Porco não. Chafurda na lama.
Tem aí um bicho que chama
Sorte para eu me banquetear?

O almoço é sobra do jantar,
Da mesa posta e da gama,
E o ano que cá se derrama,
Sobre ele, faço conjeturar.

Pensando bem, é bobagem...
Só ter a ceia já foi vantagem
Nem vale essa boba palestra.

Ademais se é azar ou sorte...
Os bichos não veriam a morte
Nem haveria a refeição extra.

Francisco Libânio,
01/01/13, 5:49 PM

701 - Soneto de cor da cueca

Se fosse verdade não haveria tanta discórdia no Palmeiras

A cor branca significa paz
E a cor amarela, dinheiro;
Rosa, dizem, amor certeiro.
É o que a cromologia traz,

No ano que fico para trás,
O colorido faz verdadeiro
O que se crê e, por inteiro,
O sujeito numa cor se faz

E usa feliz a cueca nova.
A crença ou se comprova
Ou fica como o passado.

Um ou outro, está distinto
E folgazão dentro o pinto
Do canto que lhe foi dado.

Francisco Libânio,
01/01/13, 9:55 AM