segunda-feira, 10 de setembro de 2012

0438 - Soneto pelo dia da imprensa

Alguns órgãos de nossa imprensa têm essa postura. Veja só.


Seu fim principal é a informação,
Sua condição ideal é a liberdade,
Seu dever precípuo é a verdade,
Sua qualidade básica é a isenção

Então, decora-se toda essa lição
E se vai a campo pela novidade,
Acha-se? Sim, mas há dificuldade
Em usar tudo isso com correção

À informação tem o descartável,
Com liberdade faz-se manejável
A verdade conforme conveniente,

Isenção? Fica na aura dos ideais,
É mais isento o que paga mais
E expurga-se o isento realmente.

Francisco Libânio,
10/09/12, 12:54 AM
(dia da Imprensa)

domingo, 9 de setembro de 2012

0437 - Soneto jiboiante

Quero ver quem nunca se sentiu assim após um almoçaço


Sábado no almoço feijoada,
Muito feijão e porco picado,
Rabo, pé e orelha do coitado,
Mas sua alma será agraciada

Fez um homem feliz e saciada
Sua fome. Mais arroz, ao lado
Torresmo, Jaz bem pururucado
Também o pernil de uma azada

Leitoa. Sentiu bem a refeição?
Pois comido, a saborosa ação
Pede um descanso bem joia

É ai que eu bem compreendo
E copio achando estupendo
O ócio digestivo de uma jiboia.

Francisco Libânio,
09/09/12, 2:23 PM

0436 - Soneto para o dia do veterinário

Porque cuidar do seu grande amigo é fundamental

Há a crescente e politicamente correta
Preocupação com o direito do animal,
Justa, absolutamente justa e primordial
E nenhum direito a outros mais acarreta

Que a saúde. Para cuidar dessa dileta
E necessária questão é fundamental
O veterinário. Médico, dentista, plural
De profissionais, uma melhor faceta

Que a outra. Sorte do seu cachorro,
Do seu gato, do seu bicho. Socorro
Garantido, Também tem o veterinário

Tal sorte. É um Francisco de Assis
Diplomado e que merece essa feliz
Lembrança em seu dia no calendário

Francisco Libânio,
09/09/12, 1:55 PM

sábado, 8 de setembro de 2012

0435 - Soneto para o dia da alfabetização

Alfabetizar com poesia. Ensina e desperta a sensibilidade desde cedo.


O oito de setembro em si guarda
Uma efeméride séria, muito nobre,
Para algo que anda muito pobre,
Que sempre mais atenção aguarda

Alfabetização, sê a primeira farda
Da criança e então cresça, dobre,
Triplique, quadruplique, soçobre,
Comande, aja e dê salvaguarda

Ao infante e solo fértil ao adulto
Para fazer dele um homem culto
A pensar com a própria cabeça

Assim, haverá melhor qualidade
De gente que trate com verdade,
Te dê valor e não te desmereça.

Francisco Libânio,
08/09/12, 12:41 PM

0434 - Soneto um pouco invejoso

RETIFISMO - Podolatria. O termo é referente ao escritor francês Nicolas Rétif.


Por ser ou demais reservado
E guardar as minhas sexuais
Fantasias e casos dos demais
Ou por não ter muito agrado

Em dividir o mais erotizado
De meus sonetos tão casuais
É que certo “controle de pais”
Aplico ao que quero publicado

Não sou em absoluto retifista,
Mas tenho cá o lado fetichista
E mais não interessa saber

Invejo, por isso, seu Mattoso,
Que não refreia na lira o gozo
E soneteia aberto seu prazer.

Francisco Libânio,
08/09/12, 5:55 AM

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

0433 - Soneto desviado de finalidade

Esse cenário lindo me deu uma ideia cabeluda e eu não vou sonetear? Me obrigue!


Dizem que o soneto, por ser lírico,
Deve versar somente sobre amor,
Meu respeito a tal ideia faço apor,
Mas discordo frontal de tal onírico

E radical interlocutor. Sou empírico,
Dou ao soneto um outro pendor
Além da amada, seja ele qual for,
Seja escatológico ou seja satírico,

Pois ser Petrarca ou ser Mattoso
Não faz o soneto menos honroso
Ou deixa de soneto o soneto ser

E além do mais, quem o escreve?
A ideia, quem a burilou e a teve?
Então escrevo aqui o que quiser.

Francisco Libânio,
07/09/12, 11:27 PM

0430 - Soneto de gozação na eleição

Como o nobre eleitor pode ver, opções não faltam.


Kiko, Seu Madruga e seu Barriga
Na ala de personagem genérico,
Tem os que são o tipo periférico
Que enfrentam todo tipo de briga

Tem também aquele que castiga
O português, que tem ar histérico,
Tem os com um projeto homérico,
Os que se anunciam com cantiga,

Com paródia, um jingle que invade
Mas o pior tipo é a subcelebridade
E desses a eleição está mais cheia

E fora, ou não, do mundo artístico
Todos fazem um bom humorístico
Despertando muita vergonha alheia.

Francisco Libânio,
07/09/12, 8:17 PM