quarta-feira, 5 de setembro de 2012

0423 - Soneto de uma preferência subversiva

E tenho até time, o New Orleans Saints, do Drew Bress, esse cara aí em cima.


Vem um e me critica com ufano:
Olha lá o vermelhinho marxista,
O burguês com ar de socialista
Assistindo ao futebol americano

Assisto e assumo, oh tal fulano!
Assisto e me digo anti-imperialista,
Assisto sem ser o radical purista
Que faz o xiita ignorante e insano

Nos Estados Unidos há, também,
Os aspectos culturais “do bem”
E este jogo que pode te parecer

Violento muito lembra o xadrez
De cerebral que é. Por sua vez
Pegue sua opinião e vá se foder!

Francisco Libânio,
05/09/12, 9:21 PM

0422 - Soneto ocupacional

Passa um ventinho e tira toda concentração... Sei como é.


Meu ócio é algo desagradável,
Minha ocupação fica dispersa,
Tento fugir, Não tem conversa,
O ócio vem e tudo fica inviável

Estudo, trabalho e até o afável
Prazer de amar. Tudo malversa,
Tudo estraga. Coisa perversa!
Viro um grande inútil miserável.

Da minha ocupação me desligo,
Liga o poeta, ver se consigo
Transforma o ócio em lirismo

Até que sai algo. Isso desinfeta
O ócio. A disposição inquieta
O trabalho vem com estoicismo.

Francisco Libânio,
0509/12, 8:48 PM

0421 - Soneto revelador

Desde pequeno colocando suas horas de mamar e dormir.


A quem de mim muito diga
Que ao escrever, eu revelo
Demais de mim e pede zelo
Ou mostrar demais dá briga,

Será mesmo ou será intriga?
Às vezes um escrito, ao lê-lo,
Dou a razão. Aí me acautelo,
Me preservo e isso me mitiga,

Escrevo usando do cuidado
Para não por demais o lado
Íntimo ou dar muita amostra

Da minha pobre vida pessoal
Sem me guardar muito, afinal
Quem se abaixa a bunda mostra.

Francisco Libânio,
05/09/12, 1:37 PM

0420 - Soneto ocioso

Às vezes é uma solução e não um problema. e ajuda a escrever.


Para escrever um bom soneto
Demanda, além de inspiração,
Tempo. Demanda disposição
Também, mas ter o completo

Tempo de escrever, sem veto,
Sem hora marcada ou a noção
De que haverá uma interrupção
Por ordem de um outro projeto

Dá ao poeta aquela tranquilidade
De escrever. Que a necessidade
Se exploda! Eu quero ser poeta

Foda é que quem vê a imagem
Do poeta diz: É vagabundagem!
Ruim é quando isso nos afeta.

Francisco Libânio,
05/09/12, 12:17 AM

terça-feira, 4 de setembro de 2012

0418 - Soneto tocantinense

Rio Tocantins no Tocantins. 


O famoso Bico do Papagaio,
Que já ouvi ser terra sem lei,
(Ao menos foi o que estudei
E quando o fiz foi de soslaio)

Mas agora que eu me retraio
Ao Tocantins, que escreverei?
Eu, que sobre ele, pouco sei,
Devo um soneto. Como saio

Dessa geográfica enrascada?
Falar de Palmas, a planejada
Capital, bonita. O que mais há?

Falar da natureza tão pujante
Sem esquecer um só instante
Dos rios Araguaia e do xará.

Francisco Libânio,
04/02/12, 10:36 PM

0417 - Soneto sergipano

Aracaju on night


O menor Estado da Federação
É esse pedacinho junto à Bahia,
Mas vá você fazer a aleivosia
De chamar baiano na gozação

Um sergipano. Olha, meu irmão,
Se era briga o que você queria,
Aposte que com essa ousadia,
Você alcançou bem a intenção,

O sergipano o é com tal orgulho
Que confundi-lo é ter barulho
Porque Sergipe não é Alagoas

E Bahia é muito menos. No fim,
Nordestino que é burro? Pois sim!
O diabo carregue essas pessoas!

Francisco Libânio,
04/09/12, 4:06 PM

0416 - Soneto paulista

Essa é a Prudente onde moro. É São Paulo também.

Locomotiva do Brasil? Sem essa!
Aqui as locomotivas não dão tom,
Em São Paulo esse delicioso som
Das composições a ir sem pressa

Virou passado. Agora de depressa
Só os carros que tiverem motor bom,
Roda de liga leve e um potente neon
Na malha de estradas que atravessa

O estado todo. Não há locomotiva,
Revogue-se já essa ideia figurativa
E sem sentido. São Paulo apenas é

Um dínamo a mais na engrenagem
E que quando lhe falta a regulagem
Faz o Brasil inteiro dar marcha à ré.

Francisco Libânio,
04/09/12, 2:14 PM