segunda-feira, 6 de agosto de 2012

0370 - Soneto para o boxe


Nobre arte? Eu dou outro nome:
Sobrevivência, mais: Instinto
Há muito o homem, se faminto,
Briga para saciar sua fome,

Se contrariado ou atrás de renome
Contra o outro forma um sucinto
Embate. Vencer faz dele distinto,
E distinto melhor procria e come,

Vem de lá a natureza do boxer
E aquilo queria, hoje ele quer
A glória na luta agora esporte,

E comparado com a vil crueza
Dos ultimates, realça a certeza
Do boxe ser nobre e ter porte.

Francisco Libânio,
06/08/12, 9:55 PM

0369 - Soneto para o badminton


Dizem que em popularidade
É o segundo, o que é claro...
Numa partida em que encaro
Um chinês da modalidade

Fera contra outra sumidade
Indiana não me parece raro
Que tal jogo chame o faro
De pouco mais da metade

Dos viventes. Vou assistir
Também. Dá vontade de rir
Desse tênis com peteca

Mas vem um dado momento
O jogo fica bom, eu aguento
E adio uma prevista soneca.

Francisco Libânio,
06/08/12, 9:37 PM

0367 - Soneto para o atletismo


Não há esporte que melhor teste
O homem e por isso a excelência
Do nome. Prova-se a eficiência
De pernas e braços. O atleta investe

Contra o tempo e tem apenas este
Como aliado e inimigo. Incoerência?
Se a marca foi única competência
Dele haverá algum que o conteste?

Sim. Na raia ao lado, o adversário
Mete contra o tempo qual corsário
E tira dele um centésimo precioso

Agora o tempo precisa ser roubado
Outra vez. E o atleta mais capacitado
Ao fazer fará o esporte mais honroso.

Francisco Libânio,
06/08/12, 9:00 PM

domingo, 5 de agosto de 2012

0365 - Soneto olímpico para Maurren Maggi


Entre ela e a caixa de areia
Há um invencível universo,
Um caminho reto e adverso
Que em quilômetros margeia,

Mas aí vem ela e o permeia
E o que parecia vira o inverso,
Milhar em metros converso,
Aquele universo todo vira meia

Rua, fácil para qualquer um,
Correr e saltar, problema algum,
Mas pra isso precisa ser ela,

Precisa se depurar das falhas,
Precisa ir além das medalhas
E ser inigualavelmente bela.

Francisco Libânio,
05/08/12, 1:37 PM

0364 - Soneto olímpico para as irmãs Williams


Venus, Serena, há até quem estranhe
Duas negras empunhando raquetes?
O tênis em que surgem ramalhetes
De cem brancas. Há que se assanhe

E, ignorante, duvida que a dupla ganhe
Mas quem duvida, ao ver suas vedetes
Alvas sofrendo e perdendo. Os topetes
Caem. A dupla negra vence. Acompanhe,

Pois, e veja que as ebenáceas musas,
Que aos olhos desses soam intrusas
No mundo branco, endinheirado e elitista

Do tênis são panteras fenomenais,
Jogam muito e são lindas demais,
Porrada feia na mentalidade racista.

Francisco Libânio,
05/08/12, 10:54 AM

0363 - Soneto olímpico para Isanbayeva


E com os olhos azuis, ela mira
Estão lá pista, sarrafo e altura;
E o que seria uma tarefa dura
Para ela brincadeira trivial vira,

Então, ela se concentra, respira,
Analisa o vento, parte e apura
O momento, toma envergadura
E ela salta e logo ela se estira

Do outro lado vinda do alto
Após estar lá em breve assalto
E de trazer de lá uma vitória

Recorde? Talvez ele também,
Venha, mas se não, tudo bem,
Ela já se sublinhou na história.

Francisco Libânio,
05/08/12, 9:52 M

0362 - Soneto olímpico das belas mulheres


Seja atletismo ou vôlei de praia,
Seja no hóquei ou no handebol,
Ou uma ou outra no basquetebol
Em tudo há beleza que atraia,

Lá corpos torneados numa raia
A correr ou na areia sob o sol
Douradas um novo nome no rol
De deusas seja ela paraguaia

Ou russa, brasileira ou americana
E (por que não?) seja africana
Não lhe importa a nacionalidade,

A beleza atlética é dom universal,
Os jogos trazem o motivo opcional
Caso o esporte não dê vontade.

Francisco Libânio,
05/08/12, 9:24 AM