quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dura liça


Todo dia quando acordo, eu me prometo
“Não irei pecar! Ficarei longe da maldade
Do Mundo, seguirei do vício teso e ereto!
Serei caso de virtude, exemplo de bondade!”

E me levanto ao mundo que está repleto
De tentações a me espreitar. Vontade?
Esta não me falta, mas enquanto quieto,
O desejo na forma de mulher me invade

Ela, provocante e erotizada, me atiça,
Quando não é esta mulher é o vício
E o costume que faltam a me seduzir

Então uma fala ou um ato fazem cair
Minha intenção. Resigno, volto ao início
E tentarei ser limpo outra vez. Dura liça.

Francisco Libânio,
09/02/11, 9:48 AM

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A um homem alfa


Vês que o mundo agora não é mais aquele,
Aquele em que sonhavas único provedor,
Aquele em que te crias de tudo o senhor
E vês que mudou e não tens espaço nele

Este mundo que agora te reprova e te repele
É o que permite nuances da mesma cor,
Dá às tuas fêmeas poder para sobrepor
Voz aos teus comandos e te sentir na pele

Que és homem macho, mas aos outros igual,
Que tens voz, mas ela não é a preferencial
E que outros machos podem até abrir mão

De serem machos para serem os homens
Livres com os mesmos direitos que tens
Livres da tua ignorância e da tua repressão.

Francisco Libânio,
08/02/11, 12:34 PM

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ressurgir


A alegria de um povo, de um ano inteiro,
Trabalho com alma, com amor e devoção,
Trabalho que anima e que nenhum dinheiro
No mundo paga por isso. A gratificação

É ver o espaço colorido, é a empolgação
Vibrando na avenida, é o povo alvissareiro
Deslumbrado com tudo indo à comoção,
Comoção esta que choca ao ver o braseiro

Em que foram tornados o sonho e o trabalho
Numa manhã de chamas como um vergalho
A dar em tudo o que era colorido ao consumir

Fantasias, adereços, maravilhas e alegrias
Não só a esperança de sacudir e em alguns dias
Devolver a beleza e outra vez fazer sorrir.

Francisco Libânio,
07/02/11, 12:01 PM

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um dia na vida


Era pra tentar entender o que ele estava fazendo no meio da rua com uma bermuda na cabeça. O bairro parou pra ver a cena. Seu Dantas, homem pacato de hábitos comuns e pontuais, resolveu despirocar e viver um dia diferente. Bermuda na cabeça, uma meia de cada cor, pé calçado e pé descalço e camiseta com um rasgo transversal. Mas a bermuda na cabeça assustava mais ainda, talvez porque todo o resto, ainda que de forma absurda, estava vestido nos conformes.
Seu Dantas não respondia a ninguém o porquê da bermuda na cabeça. Não queria dar explicações. Ele dava várias todos os dias e hoje, logo hoje, não daria nenhuma satisfação. A rua que parasse, tirasse foto, chamasse a Polícia, o manicômio. Fez o trajeto da sua casa até o Centro vestido dessa forma bizarra e chamou a atenção de todos, inclusive da televisão. Foi ao banco, foi à farmácia e comprou algumas revistas antes de voltar pra casa. Atrás de si, seu Dantas juntou verdadeira leva de curiosos, detratores e, sobretudo, admiradores. Quando ele entrou em sua casa e não saiu mais, o assunto do bairro e adjacências foi o modelo que seu Dantas saiu. Esperavam algo assim para amanhã, uma nova moda, um outro grito de rebeldia.
Não aconteceu. Seu Dantas saiu de casa todo na estica, terno e gravata na medida, cabelo penteadíssimo, cara sisuda como sempre e falando apenas o necessário com a vizinhança. A quem perguntasse sobre o que tinha se passado ontem, ele saía pela tangente, não dava assunto. Todos ficaram sem entender o que levou um sujeito tão careta quanto seu Dantas a ter um dia daqueles. E entenderam menos ainda, os seus admiradores, quando, contagiados pela moda lançada, foram criticados duramente por ficarem se vestindo que nem malucos com uma bermuda na cabeça. Seu Dantas considera seriamente a hipótese de se mudar, pois não quer morar com malucos.

Francisco Libânio,
04/02/11, 9:16 PM

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Hai-kai de incompreensão


As coisas quando tem de acontecer,
Acontecem sem nenhuma explicação
E eu só queria entender.

Francisco Libânio,
03/02/10, 8:43 PM

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Iemanjá


Quando ela vem saindo do mar,
Seu manto azul vivo e reluzente
A confundir com a água do mar
Tomando as flores jogadas
Dadas de presente,
Flores entregues ao sabor do mar
Iemanjá se agrada e agradece
Aos seus devotos na beira do mar
Ela fica ali escutando as preces
Dos fiéis que molham os pés no mar
E louvam o dois de fevereiro,
O dia santo da rainha do mar,
Dia em que se pede graça
Para o ano inteiro
Numa fé que se renova
Como as ondas do mar.

Francisco Libânio,
02/02/11, 12:44 PM

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Motagem


Cada poema que eu escrevo
É um pouco de mim que se perde
E quem me lê no papel me acha
Mas não me encontra como um todo

Porque há muito de mim ainda
A ser escrito.
A ser achado
A me encontrar
A me ser.

Francisco Libânio,
01/02/11, 8:26 PM