terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Minha mulher perfeita


Eu sei que minha mulher ideal não é perfeita
Nem em meus sonhos ela seria, mais no real...
Sei que ela tem defeitos e tem um lado mal,
Sei que teremos conflitos de causa suspeita

Ou que ela terá dias daqueles, raiva à toa,
Dias que ela não vai me entender, vai brigar,
Não vai querer me ver e tampouco me amar,
Mas se for perfeita, passa tudo e ela perdoa,

Faz cara de braba, desfaz, range os dentes,
Exige desculpas, vacila, disfarça um sorriso,
Faz briga, faz raiva, faz o que achar preciso

Para mostrar razão, mas no fim, sua virtude
Em ser perfeita destacará. Que ela não mude
Suas imperfeições ideais sempre presentes.

Francisco Libânio,
17/01/11, 11:50 PM

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Consciência


Dá-me consciência de que o Amor é um bálsamo
Para as dores do mundo, mas que o mundo fere
Mais do que o Amor pode curar. Sua insanidade
Mais o amor sana chagas mais bombas desfere
Fazei com que eu não seja imune aos golpes,
Mas que eu saiba usar o Amor mais como cura,
E sim como forma de atacar o mundo que ataca
Porque se é com violência que o mundo age
Vou ser violento também, conscientemente violento
Mas violentamente amoroso com toda a consciência
E com toda essa consciência, meu amor que cura
Curará minhas dores e ferirá o mundo e se puder
Curará o mesmo de sua mania inconsciente.

Francisco Libânio,
17/01/01, 8:27 PM

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paquera


- Boa noite. Alguém já lhe disse que a senhorita é linda?

- Sim, meu pai, meus tios e meus ex-namorados.

A conversa acontecia num barzinho desses em que solteiros tentam a sorte e casais vão se divertir. Alguma coisa começou bem. Se os ex dela falaram que ela é linda é sinal que não tem ninguém na parada. Bom pra insistir.

- Pois acrescente mais um no currículo. Prazer, eu me chamo Haroldo.

A moça fez um “ah” e respondeu:

- Eu sou a Rafaela, prazer.

Prazer é todo meu, pensou. Então o alvo tinha nome, se chamava Rafaela, usava uma roupa escandalosamente provocante e estava sozinha. Puxou uma cadeira mesmo sem ser convidado e pediu algo pra beber. Ela não achou de bom tom, mas não reclamou, o lugar estava cheio.

- E o que você faz sozinha nesse lugar?

- Vim me divertir. Semana cheia, sabe? Precisava arejar.

- Eu vim à procura da mulher da minha vida. Tantas tão lindas aqui. Mas acho que já tenho uma escolhida.

- Uau, que legal! – e nisso a moça arruma a aba do seu sutiã a aparecer no generoso decote. Uma indireta? Talvez, mas o espetáculo foi bom e, aparentemente, sem constrangimentos.

- Sim, to precisando me amarrar, sabe? Cansei de ficar pulando de galho em galho.

- Faz muito bem. Coisa que eu detesto é homem que não se prende a nada nem a ninguém. Também quero achar uma pessoa assim. Já passei do tempo da brincadeira.

Bingo! Ela estava quase conquistada. Na verdade, ele mentiu. Ainda não queria se amarrar coisa nenhuma, mas se a noite com o troféu de hoje fosse boa, prometeu pra si mesmo, ele revia sua posição. Aquilo era mulher pra casar.

Silêncio breve, ela pede um drinque. Ele pede uma cerveja. Os dois bebem. Ela tem jeito de que facilita o jogo quando bebe, pensou. Ela o olhou e perguntou:

- Você.... tem cara de casado.

- De jeito nenhum!

- Olha...

- Tô falando sério. Sou solteiro mesmo.

- Tá bom, vou acreditar, hein?

“Que sufoco! Onde ela viu cara de casado? Será que é a barba por fazer? Como mulher encana com essas coisas? Pois bem, agora contra-atacar” pensou. Enquanto ela bebia:

- E você?

- Eu o quê?

- Já foi casada? Tem filhos?

- Não. Já fui noiva, casamento marcado, certinho, mas acabou antes.

- Que chato, mas você vai achar sua metade.

Ela se levantou para ir ao banheiro. Meio desastrada, roçou a perna dele com os joelhos e para se apoiar, segurou as mãos dele. Foi quando viu a saia curta, mas comportada e o par de pernas lindas. Ao passar por ele, segurou-lhe os ombros. Já havia toque demais. Certamente, estava tudo certo na cabeça dele. Hoje, ele não dormiria sozinho. Quando ela voltou dizendo “Já é tarde, eu vou embora” foi a chave para a pergunta:

- Vamos para onde?

- Oras, eu vou pra minha casa, e você?

- Vou junto.

- O quê? Tá louco?

- Gostei de você, é a mulher da minha vida! Você também que um homem pra sua e esse sou eu. Vem, vamos começar nossa história de amor!

O bar todo olhava a mesa. Ele cresceu pra cima dela atrás de um beijo, um abraço o que fosse. Com boa ginga que tinha, conseguiu se desvencilhar. O sujeito de cara no chão foi cercado por três outros e expulso do bar, que não admitia maníacos nem baderneiros. Ela viu que aquilo não era homem pra ela. Onde ele achou que tinha condição?

Francisco Libânio,

14/01/11, 6:31 PM

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Acidental


A palavra dita como fosse uma estilingada
Sem intenção dói como se cortasse fundo
Pense, pois, no dito que é esmerado e oriundo
De quem quer ferir por coisa já pensada!

Francisco Libânio,
13/01/11, 5:00 PM

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Duelo


A página em branco me desfia, me insulta
E chama às vias a criatividade sonolenta,
Mas, mesmo assim, boa de briga e culta
E que desafiada põe tudo ao chão e enfrenta.

O que vem depois é uma luta sangrenta
Em que a folha em branco instiga e ausculta
A fraqueza da criatividade que inventa
Uma rima a ferir a oponente. O que resulta

Desse embate são lutadoras cansadas,
Uma por ter sido exigida em rimas improváveis,
Outra marcada por cicatrizes permanentes

A folha, ferida pelas letras em si marcadas,
Cumprimenta a vencedora de mãos hábeis
Se arrependendo pelas palavras insolentes.

Francisco Libânio,
12/01/11, 11:37 AM

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pelos poemas que escrevi


Todos os poemas que escrevi
Sobre nossa história foram reais
Pois de alguma forma eu os vivi
E por algum motivo de força maior
Não os pude viver mais

Azar. Eles estão para a posterioridade
Que legará de nós algo real
E que os ler que se inspire na capacidade
De viver à plena um bom amor
Ainda que venha um fim e faça mal.

Francisco Libânio,
11/01/11, 8:54 PM

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Este vazio


Este vazio que não se preenche logo
Por mais que eu lhe jogue esperanças,
Expectativas e amores lhe e ateie fogo
Para cobri-lo. Sobram as inseguranças

Que o recavam e põem as ordenanças
Deixando para mim o cansativo jogo
De tapá-lo para elas virem de lanças
E pás me picar e me deixar no afogo

Deste vazio com os pés à sua borda
Pronto pra cair. Ah, esta maldita horda
De maus quereres que me querem mal...

Cavem fundo este vazio que me assola
E sonhem em me ver dentro até a gola,
Eu o fecharei com vocês nele ao final!

Francisco Libânio,
10/01/11, 4: 14 PM