segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu mundo


Meu mundo de muitas letras e poucas obras
É um monte de escombros, cacos, estilhaços,
Meu mundo que eu esperava viver de abraços,
Quando tem um, ele pega do que são sobras

Meu mundo, antes de sorrisos e de luzes cheias,
Não pagou a conta e os sorrisos foram embora,
A escuridão e a penumbra vão além da sua hora
Onde havia frases bonitas tem sombras feias

Meu mundo, tão internalizado e tão ensimesmado,
Caiu do décimo quinto andar e afundou o chão,
Vendeu amor por ninharia e tomou emprestado

O amor alheio como se fosse seu. Ficou a lição
De que o mundo aceita o que está ao nosso lado,
Mas não admite a órbita nesse outro por missão.

Francisco Libânio,
13/12/10, 3:09 PM

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Hai-kai de alguma esperança


Pode ser que o futuro traga algo bom qualquer,
Claro, desde que se acredite nisso
Sem perder de vista que só pode ser.

Francisco Libânio,
11/11/10, 5: 13 PM

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

81 - Amor que não me canso de exclamar,


Amor que não me canso de exclamar,
Por que não me ajudas quando chamo?
Ou és surdo quando teu nome clamo
Ou me ouves e não queres me ajudar

Sei que eu não sou o melhor praticante
Da tua arte fácil de aprender na teoria
E difícil quando se exige nela maestria,
Sei bem que não sou bom o bastante

Mas a mim, Amor, dá ouvido e amparo,
Põe-me ao menos aprendiz em teus jogos
Mostra-me como se deve amar alguém

Porque amo e isso eu me sei muito bem,
Se isso for um começo, ouve meus rogos
E faz-me amante com engenho e preparo.

Francisco Libânio,
08/11/10, 7:16 PM

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Soneto de química


Corpo a corpo, peças complementares,
Formamos um encaixe pra lá de perfeito,
Um modus-operandi ideal sem defeito,
Tudo é perfeição desde as preliminares

Somos a química exata, causa e efeito,
Conhecemos nossos tatos e paladares,
Completamo-nos todos nossos lugares
E só nós sabemos um do outro o jeito

Nossos encontros são delírio na certa,
Para mim sua porta está sempre aberta
Para ti, minha resposta sempre será sim

E mesmo com esse prazer sem ter fim,
Por que depois me falta algo a compor?
Por que chamamos isso de fazer amor?

Francisco Libânio,
08/11/10, 5:06 PM

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desespero


Foi no desespero que falei as coisas pesadas
Que feriram de morte teu coração
Hoje, quando eu devia estar calmo e tranqüilo
Há mais desespero e mais tensão
Porque as palavras foram facas muito afiadas
Que assustaram, causaram aversão
Hoje em meu desespero, também eu me mutilo
Para, igual a ti, recorrer ao teu perdão.

Francisco Libânio,
08/11/10, 11:20 PM

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Terra Molhada


Pra quem mora no interior, mesmo numa cidade grande como é Prudente, tem certas coisas que marcam. Ok, este cronista nunca viveu no campo, mas como quase todas as pessoas da cidade (pelo menos, os de sua geração), ele já passou, pelo menos um dia, fora da cidade em contato com a terra. E isso é muito nostálgico.

O dia hoje está abafado, há um branco no céu que induz a chuva e é o que se espera. Primeiro para refrescar o dia quente, mas também para que a água caia no jardim da casa e deixe vir do chão o delicioso cheiro de terra molhada, cheiro que lembra a infância do cronista. Cheiro que desperta a pueril vontade de tomar banho na chuva, deixar que essa água gratuita inunde uma alma citadina demais e faça florescer lembranças de um tempo bom. Por enquanto, tudo o que temos é calor, mas a chuva é possível. E que venha. Ando precisando demais disso.

Francisco Libânio,

05/11/10, 10:16 AM

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As Sérvias


De tanto ver a tenista Ana Ivanovic, pôs na cabeça que iria se casar com uma sérvia nem que fosse preciso morar nos subúrbios de Belgrado. Mas não queria uma sérvia qualquer. Tinha que ser, no mínimo, igual à sua musa. E ponto final. Só havia um problema: Onde morava, em Pirapozinho, sérvias não se encontravam em qualquer esquina. Mas não era problema. Ele queria uma sérvia e pronto!
Os amigos tentavam dissuadi-lo da ideia absurda, apresentavam amigas bonitas, morenas como a tenista, mas que nada. Não tinha conversa. Queria uma sérvia. Um amigo seu mais afastado e fã de internet resolveu ajudar e, pela Grande Rede, encontrou quatro sérvias. Não falava a língua delas, mas desenferrujou o inglês com elas.
Esse era o problema. O rapaz também não falava nem bom dia em sérvio. Nem procurou aprender. Queria uma sérvia e não falava uma palavra no idioma delas. E as meninas que o amigo encontrou também não falavam português, mas mesmo assim, ele colocou as pontas em contato. Conversando com elas, convenceram-na a tomar um avião Pra o Brasil e um ônibus para o recanto paradisíaco do interior, O encontro foi engraçado.
As meninas gostaram do rapaz, que também achou as moças interessantes. Conversaram, jantaram ele, elas e o amigo, que servia de intérprete. Os amigos achavam engraçado o rapaz saindo com quatro sérvias e escolher entre elas uma pretendente. Nenhuma era como a Ana Ivanovic e também não sabiam jogar tênis. Gostavam de vôlei. Mas elas não se incomodavam. Ele também não era um Kaká, a quem achavam um gatinho, nem no biótipo menos no futebol.
Um dia, ele e as meninas desapareceram. Os amigos souberam pelo amigo que serviu de ligação entre eles que os cinco foram dar um passeio pelo Brasil. Conheceram as praias do Rio de Janeiro e do Nordeste, o Pantanal e a Amazônia terminando por São Paulo. Uma grande diversão para todos. Quando reapareceu, o sujeito veio sozinho sem nenhuma das suas sérvias.
- O que aconteceu? – Quiseram saber.
- Não deu certo. Elas são maravilhosas, lindas, mas nenhuma delas era parecida com minha musa. Não vai rolar. Também desisti de querer casar com uma sérvia. Até porque ando acompanhando muito atletismo e virei fã da Isimbayeva.
Os amigos deram um tempo. Se viesse com ideia de casar com uma saltadora russa, mandariam interná-lo no hospício. E ele nunca mais falou em namoro com ninguém.

Francisco Libânio,
24/10/10, 3:15 PM