quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Das boas intenções


Nada serviria melhor de atenuante a um coração
Do que a bondade que ele tem ao agir,
Mas cuidado. Que até mesmo uma dita boa ação
Pode uma passagem ao inferno garantir.

Francisco Libânio,
26/08/10, 9:26 AM

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Na Montanha


O povo se amontoa para assistir um Doutor
Sem instrução, sem diploma, sem nenhuma
Especialização. Apenas espera e se arruma
Para escutar do alto da montanha aquele Orador

Eis que aparece Ele e com simples frases
O povo é agraciado com tantos ensinamentos,
Tanta sabedoria, paz e todos os alentos
Para que aquela gente pacata crie bases

Para uma vida melhor, não mais abastada,
Mas mais rica humana e espiritualmente
E aquela montanha nos legou boas heranças

Ficando para todo o sempre lembrada
Por nós, que sem a sorte daquela gente,
Tivemos escritas dali as bem-aventuranças.

Francisco Libânio,
24/08/10, 12:58 PM

terça-feira, 24 de agosto de 2010

01 - 23-08-10


Que a loucura da cama esteja além dela,
Que a disposição de amar deitados viva
Quando nos levantarmos e esteja altiva
Para quando tivermos medo de perdê-la

Bem como estivermos perdendo o senso
E que sejam esta loucura e esta disposição
Combustível e alicerce para nossa paixão
No momento mais fraco e no mais intenso

Que a loucura e a disposição sejam juízas
De todas as nossas decisões mais sensatas
E provoquem nossas melhores loucuras

Para nos abraçarem com as doces brisas
Dos amores em violentíssimas cascatas
Após vencermos no cotidiano as agruras.

Francisco Libânio,
23/08/10, 1:54 PM

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

77 - Um beijo à noite em meio ao sono


Um beijo à noite em meio ao sono
E o sonho que eu vivia se fazia real,
Mais um e outro e então acabava o mal
Que eu vivia dormindo em abandono

E outro beijo, agora na boca, um estalo
Silencioso, tuas mãos antes nas costas
Envolviam meu corpo a fim de tomá-lo
Depois sobre meu peito estavam postas

O olhar sério, sereno e um pouco moleque
Desafiava o meu que acordava aos poucos
Como se pusesse nosso amor em xeque

Agora era te amar como nunca foste amada,
O sono que acabasse. Recusar era aos loucos
E eu te amei até te ver sobre mim deitada.

Francisco Libânio,
22/08/10, 8:00 PM

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Uma rosa morreu


Uma rosa morreu. Lastima-se o Jardim,
A beleza da rainha das flores é passado,
O presente é uma tristeza que, sem fim,
Deixa-o mais opaco e esbranquiçado

Sobra agora o espaço que era da rosa,
Insubstuível? Talvez. O futuro é incerto,
Mais feio, com certeza, e mais esperançosa
É a previsão do que está em aberto.

Nascerá uma outra rosa assim tão bonita?
Será ela assim, tão rubra e tão perfeita?
Merecerá alguma flor o lugar que era seu?

Não se sabe. Cabe agora velar a proscrita,
O Jardim é o presente com a célula desfeita
E chora, como um peito, a rosa que morreu.

Francisco Libânio,
19/08/10, 7:15 PM

domingo, 15 de agosto de 2010

Soneto para minha Ansiedade


Aquieta-te, minha rebelde Ansiedade,
Não grites que – já disse – não há ouvidos
Para ti, para tua euforia ou teus gemidos,
Para tua mentira ou para tua verdade

Põe-te no teu lugar em meus sentidos
E fica lá quieta, pois tua celeridade
Não ajuda e teu vagar vira maldade
Mais venenosa que teus horrendos ruídos

Acalma-te, Ansiedade, que o que queres,
Sei muito bem e será teu fim infalível
E é o fim merecido para todos os seres

Como tu. Logo chegará meu grande Amor,
Então morrerás e te mostrarás sensível
Dando espaço a algo que ti bem melhor.

Francisco Libânio,
15/08/10, 12:25 AM

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pra quando chegares


Eu não colocaria coroas de flores na porta de casa nem uma faixa pra dizer o quanto estou feliz em te ver de novo. Porque as coroas de flores me cheiram despedidas e as faixas parecem publicidade, seja comercial seja política. E meu peito não precisa soar como patrocinadores nem como apoios com intenções espúrias.

Eu não diria que estava com saudade nem recitaria um versinho. A saudade existia até eu saber que virias e o versinho poderia soar piegas ainda que fosse um soneto de Vinicius. Além do mais, tudo o que devia ser escrito sobre amor já foi. Eu não saberia ser novo, não saberia ter o impacto necessário pra deixar o momento mais especial.

Por isso, estarei à porta de casa de mãos nuas, boca fechada, mas coração cheio. Quando eu te vir virando a esquina, apenas curtirei a curtíssima eternidade que nos separa até o beijo que selará a tua volta. Como foi ontem e como será amanhã. Mais um dia acabou e outro dia virá.

E amanhã estarei com as mesmas dúvidas sobre como te receber bem e o que fazer pra quando chegares.


Francisco Libânio,

13/08/10, 9:36 PM