terça-feira, 11 de maio de 2010

A Construção da Mulher


Primeiro dia, criação da mulher

Deus, quando fez a mulher disse: Doçura,
Entrarás primeiro e terás a melhor morada.
Para dizer: Compreensão, faz acompanhada
E protege tua colega para lhe deixar segura

Neste corpo. E convocou também a ventura,
A bondade, a sensibilidade e a abençoada
Vocação de ser mãe além de uma selecionada
Quantidade de virtudes e por esta abertura,

Numa distração de Deus, entraram a luxúria,
A sensualidade e, acobertadas pela beleza,
Usariam as virtudes para uma intenção espúria,

Mas as virtudes, sábias, já tinham pensado além,
Deixaram as más usar a mulher para a vileza
Para a partir do mal converter tudo para o bem.

Francisco Libânio,
06/05/10, 10:50 PM


Figura extraída de http://negroartist.com/negro%20artist/NO%20LINKKK/Edwin%20Lester/images/day%20one%20creation%20of%20woman_jpg.jpg

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ah, o decote


Ah, o decote, este bandido de dupla atividade
Ora escondendo, mas à revelação um convite
Ora revelando enquanto sugere e pede palpite
Esperando angelicalmente vir alguma maldade

Para que ele possa acusar bem como obstruir
O que ele mais deseja: Revelar o que segura,
Mas espera ser convencido com a palavra pura
Sendo subterfúgio para o fogo louco a consumir

O corpo no qual ele é empecilho pouco e aparente,
Mas que cumpre seu papel honesta e dignamente
Querendo mais ser dispensado deste árduo labor

Ah, decote... Sabemos que te quero jogado no chão,
Por isso te dispenso, peço que vá para a posição
Em que possas ser testemunha do iminente amor.

Francisco Libânio,
07/05/10, 10:36 PM

Foto estraída de http://amantedasimagens.blogspot.com/2010/05/ah-o-decote.html?zx=5e3648d4b6bfa2d

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Cíclope

Menino chegou em casa com uma cara um terço assustada, um terço impressionada e um terço feliz. Não conseguiu segurar e foi falar com sua mãe:

- Mamãe, acabei de ver um ciclope vendo revista de mulher pelada e fumando charuto!

A mãe quebrou o prato que lavava:

- Que história é essa, Pedro Augusto?

- É, sim, mamãe. Ele até me mostrou a revista. Era de uma loira altona, cabelo liso, peitão...

Um croque materno fez com que o menino cessasse a descrição. Onde já se viu?

- Deixa de conversa, Pedro Augusto! Ciclopes não existem. Como um ia ler uma revista de mulher pelada? Onde você viu isso?

- Na despensa, lá fora, mamãe.

Agora foi. A história toda se deu na casa, no sacrossanto lar dessa pacata família avessa a mitologias. A mãe recobrou a calma. Não podia desfazer assim da fantasia do filho. Mas precisou explicar que para tudo havia hora. Serenados os ânimos, a história caiu no esquecimento e a mãe, a fim de incutir responsabilidades no filho, mandou-o fazer algumas compras na mercearia. Ele comprou e devia guardá-las. Na volta, o menino conta:

- Mamãe, agora o ciclope estava lendo outra revista de mulher pelada e tomando cerveja!

Outra vez? Esse menino estava passando dos limites! Decidiu que ele não ia mais ver televisão até tarde. Nem com os pais. Ela tentou ser uma mãe moderna, mas é preciso impor limites ou esse garoto passaria por mentiroso. Ou por maluco. Mandou o menino fazer o dever de casa e não queria mais ouvir falar nisso.

E até a noite, já com o pai em casa, não se falou mais em ciclope. Pôs o menino para dormir quando depois do beijo de boa noite, ele perguntou:

- Mamãe, e o ciclope?

- Dorme, Pedro Augusto!

A mulher foi pra cama matutando. Resolveria as visões do filho no dia seguinte enquanto ele estivesse na escola. E assim fez. Saiu e foi contar para um amigo o caso todo.

- E o senhor acha isso certo? Me responda!

- Olha, dona Maura, o menino precisa aprender as coisas da vida.

- Mas ele tem só oito anos! Assim ele fica assustado e aprende as coisas de forma errada. Agradeço sua preocupação com a educação do garoto, mas dessa parte cuido eu, tá bom?

- Desculpe, a senhora tem razão.

- Então, que isso não se repita.

- Pode deixar, desculpe mais uma vez.

Ela ia saindo quando se lembrou de algo:

- E tem mais uma coisa!

- O quê?

- Que o senhor veja as revistas do meu marido, tudo bem, eu não me importo. Mas quando quiser beber cerveja, peça antes. Odeio gente bêbada. Agora, se eu pegá-lo fumando esses charutos fedorentos outra vez, eu me esqueço que o senhor tem dois metros e meio de altura e força sobre-humana e furo esse seu olho, está me ouvindo?


Francisco Libânio,

17/04/10, 6:51 PM


Arte de Leonardo Tadeu Serafim




quinta-feira, 6 de maio de 2010

Hai-kai de antes do amor


Que a partir de agora e por diante
Eu não seja só o homem apaixonado
E sejas muito mais que uma amante

Francisco Libânio,
06/05/10, 12:14 PM

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pecado Capital


Não que a virtude seja algo a ser esquecido
Ou que os bons valores deixem de bem valer
Nem que o mal contra o bem tenha vencido,
Ele jamais vencerá e nem nunca irá vencer

Não, não quero ser pelo Mal pego e seduzido
Nem deixar que más idéias venham acometer
Meu dia-a-dia normal, mas por elas sugerido
A coisas menos ortodoxas atrás só de prazer

Resisto, combato, enfrento e não dou ouvidos,
Minha vida pacata não é santa nem monástica
Mas tento afastá-la de qualquer pecado capital

Só tombo quando estamos eu e ela envolvidos
Num abraço e me toma uma sensação fantástica
Que até peco, mas com ela isso se torna divinal.

Francisco Libânio,
02/05/10, 12:42 PM


Foto extraída de http://setepecados.files.wordpress.com/2007/05/luxuria41.jpg

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eles Querem



Eles querem que pensemos o que for deles
E dizem que, para nós, isso é o melhor,
Eles querem que vistamos as suas peles,
Querem nos moldar e querem nos compor

Eles querem que não sejamos diferentes,
Querem igualdade e querem mente vazia
E assim, evitar o risco de haver dissidentes
Para que eles possam enchê-las dia após dia

De tudo o que eles querem e julgam certo
Pensamentos, ideias, gostos e convicções;
Preconceitos e torpezas; isso tudo coberto

Com uma essência de sabedoria irrefutável,
Mas a alguns, tantas incongruências e incorreções
Incomodam, mas aquietar-se é mais agradável.

Francisco Libânio,
03/05/10, 2:16 PM

Figura extraída de http://aristotelespinheiro.zip.net/images/tv.jpg

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Abraço de Eros


Breve, mas ainda assim envolvente,
Capaz de cobrir o corpo que toma
Fazendo com que seja dele a redoma
Calma, materna, terna e quente

Humano, mas de dom onipresente,
Tem aquela mansidão que doma
Qualquer mal e então vem e se assoma
De abstrato em forma de gente

Ainda que mundano, é abençoado,
Divino mesmo que de deus pagão,
O abraço de Eros confirma um laço

Indissolúvel entre o ser amante e o ser amado
E só ele sabe como busca a exatidão
Para te envolver minha neste abraço.

Francisco Libânio,
05/11/09, 10:35 PM

Foto extraída de http://www.moacirsader.com/images/Abraco.jpg