terça-feira, 29 de setembro de 2009

49 - Pedir ao poeta explicar em detalhe


Extraído de http://lupoesia.vilabol.uol.com.br/amigos_poetas/img/fcummulher.jpg

Pedir ao poeta explicar em detalhe
Um poema é maldade, é um incontido
Querer de expô-lo ao achincalhe
E maior que ele ceda a tal pedido

E divague sobre cada verso a desnudar
O poema, algo naturalmente pudico
Empobrecendo com uma nudez vulgar
Algo que, vestido e secreto, era tão rico

Porque poema não se explica, se lê,
Se entende e conquista e se gosta ou não
E quem quer que se o explique não entende

De poemas e de sentimentos, apenas crê
Que o lido precisa ser alvo de discussão
Querendo ser tema o poeta que o atende.

Francisco Libânio,
01/08/09, 1:57 AM

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

V - A Mulher


Extraído de http://versusediversus.blogs.sapo.pt/arquivo/eva.gif

Parte do homem, projeto final,
Complemento dele, dotada de fertilidade
E de força à dor, criação perfeita.
Criada para obedecer, mas de tão afeita
Ao homem, de subjugada vira autoridade
Sobre ele com poder de bem e de mal.

Francisco Libânio,
23/07/09, 11:50 PM

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Arte da crônica

Extraído de http://api.ning.com/files/ty-c3J2g3pIyjKq6FXG4*3noTcy4JXH*EqEVEjl0wbkRsR00oLHGImIGKMgugwRMHNwbfouoM*pbFHbjpQ8MTx2hVt64Wggn/IdeaSwapIcon.jpg

Sempre que me sento pra escrever uma crônica é uma tarefa hercúlea pra mim. Algo assustador porque, quase sempre, não sei como começar. E quando sei não sei como ela vai terminar. E isso me inibe.

Veja só esta crônica que você está lendo. Ela já teve um parágrafo que eu pensei de antanho. Fora uma perfumaria ou outra, o sentido dele é esse mesmo. Mas não sei como vou chegar ao próximo. Aliás, não sei nem como já escrevi tanto neste. É preciso um mote, uma sobrevida para esta crônica porque ela, até aqui, não é sobre nada que não seja ela mesma. E não é muito legal ficar escrevendo algo que olhe pra si.

Pronto, findei mais um parágrafo pra começar outro. Estou indo bem. O primeiro parágrafo com uma idéia definida – a dificuldade de escrever crônicas – e o segundo esticado pra dar uma dissecada no outro. Este terceiro é um degrau a mais abaixo. O problema vai ser na hora de voltar por essa escada e de repente, uma avalanche soterrar o buraco que estou cavando. Para um cronista é tudo que ele precisa: Ser soterrado por algo que ele mesmo resolveu inventar. Para a ciência isso pode ser encarado como dar a vida por uma experiência na qual o cientista morreu acreditando. Para o cronista é a prova máxima de sua própria incompetência.

Caraca, quarto parágrafo! Pelo menos no terceiro, mais que enrolar, desenvolvi uma idéia. Muito vaga, daquela sem a qual a literatura universal viveria muito bem, mas foi uma idéia. A crônica vai se formando e criando corpo. Aos solavancos, consigo dizer algo. Não sei muito bem porque escrevi essa crônica. Era a vontade de desenvolver algumas frases ao invés de versos. Faltou combinar com a idéia. Mas as idéias e eu somos assim: marco delas virem me visitar e elas não vem. Aí resolvo escrever assim mesmo. Elas que se lasquem. Mas quando me vêem fazendo algo que julgavam fosse eu incapaz, cedem e ajudam. Não com aquela disposição voraz para tal trabalho duro, mas antes uma meia ajuda que nenhuma. E assim, pobremente ajudado, contrariado, mas resignado com a importância da crônica, toco-me a escrever. Não tem tema? Azar. Não sabe como começar? Enrola-se, fala-se do tempo, do jogo de ontem, enche a primeira linha de xxxxxxxxxxxxxx e a folha em branco deixa de estar em branco. O resto se arruma depois.

Assim, a crônica, não aquela braguiana que de tão lírica vira um poema em frases, mas a crônica dos homens normais se constrói. Tudo bem. Os homens normais são anônimos, têm dificuldades não só em escrever, mas com agruras do dia-a-dia. Rubem Braga, não. Esse podia até ser homem, mas como cronista, era uma espécie de Hércules, de Arjuna, de São Francisco de Assis. E ao quinto parágrafo, junto com o fim dessa crônica, leguei uma comparaçãozinha ridícula.


Francisco Libânio,

21/09/09, 5:36 PM


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Das dívidas


Extraído de http://aeinvestimentos.limao.com.br/imagens/materia/especiais/devedor_materia.jpg

Sabia que tinha um compromisso,
Um não, vários. Não os negava nem os podia.
E de sonso, prometia pra “um dia”
Ao responder a quem pedia: “E eu com isso?”

Francisco Libânio,
16/09/09, 8:43 PM

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Soneto 01 - Num momento em que amei demais


Extraído de http://static.blogstorage.hi-pi.com/bloguepessoal.com/d/da/dark/images/gd/1219095969.jpg

Num momento em que amei demais
Ou talvez me faltasse algum amor
Prometi a ela que eu seria o melhor
E lhe pedi a mão para a minha paz

Enquanto estive sob efeito de tais
Exageros ou ausências, aquele calor
Aqueceu-me e foi, de todos, o maior
Amor e não quis do mundo mais

Mas quando voltei ao meu exato,
Vi que não era ela nem nunca seria
A famosa “mulher da minha vida”

Desse doce sonho fez-se amaro fato
E, certíssima, ele fez, a partir desse dia,
De mim, uma criatura horrenda e desvalida

Francisco Libânio,
23/09/09, 3:07 PM

terça-feira, 22 de setembro de 2009

IV - A Costela


Extraído de http://www.tagnet.org/jesuskids/licao/1-98/eva.jpg

Dormiu de novo. Acordou, nada havia.
Soube que parte sua fora extraída
Por um cirurgião com tal maestria
Que deu ao que era seu o dom da vida.

Francisco Libânio,
23/07/09, 11:43 PM