quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Das indecisões


Extraído de http://giseleh.com/wp-content/uploads/2007/12/bifurcacao1.jpg

Dois caminhos a seguir: O bem à direita,
O mal à esquerda ou vice-versa.
Pior que não saber se um deles se aceita
É ver vir do meio a besta perversa

Francisco Libânio,
10/09/09, 11:25 AM

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

44 - Ao escrever um poema, assim que o termino


Extraído de http://static.open.salon.com/files/writing1228511911.gif

Ao escrever um poema, assim que o termino
Há outro poema louco querendo vir à luz.
Ele luta pela sua sobrevivência ante ao capuz
A amordaçá-lo no escondido onde o confino.

Porque, se um nasce, ele acha que faz jus
A nascer também. E está certo. É genuíno
O que quer. Então luta por ele com tigrino
Instinto de se ver livre. E eu que me opus

A isso, convenço-me meio na força bruta,
Força pela qual fui subjugado e é irresistível
Se eu me meter enfrentá-la em justa luta.

Ao poema abro as portas, faço sua vontade
Sem saber como lhe negara o inamovível
Direito quem qualquer um tem à liberdade.

Francisco Libânio,
05/09/09, 10:33 AM

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Da Independência


Pedro Américo, o Grito da Independência

Do Ipiranga às margens plácidas
Ouviu-se um brado retumbante.
Foi um feito em si estimulante
Mas de palavras em nada válidas

Francisco Libânio,
06/09/09, 3:14 PM

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Série Sentidos 05 - Tato


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-gRMo1vNCHpquGc7tBZHebJgWxrEiNBhXjM6F1_uxx-wj7YUKr1zAngTxl19jcx6_miyK8QhlkSJl6VTi6nDSPOES3doxabl8iA5mYodjiJl5LsEk2PYssaufPSqXGoOMjBkru6rYVyEm/s400/deitados.jpg

A Amada, que sobre mim se deita
E às minhas mãos as suas entrega,
Faz de uma forma tão surda e cega
Que tudo onde eu lhe toco ela aceita

E minha pele à pele dela não nega
Nada. Aos toques e beijos se deleita,
Pois sabemos: o amor é coisa feita
De toques num tanto que não chega

Nunca a ser demais, mas é pouco
Por mais que se goste ou se veja
Ou satisfaçam o nariz e os ouvidos

Por isso, se mais a quero, mais a toco
Porque mais que o perfume ou o beijo,
O toque é o que sacia os sentidos.

Francisco Libânio,
23/07/09, 10:56 AM

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Série Sentidos 04 - Paladar


Extraído de http://ofuxico.terra.com.br/admin/smarty/templates/img_upload/2008/11/afavorita-shivaMariana-FOTOLEG-191108.jpg

A Amada me via ali, a tudo distraído,
A falar. Eu achava que prestava atenção
No que eu dizia com mais empolgação
Conforme o assunto era transcorrido

Mas não... Esperava minha distração
Fazendo o seu pendor como prendido
À minha fala, mas num rompante definido
Ela, com um beijo, me cala a exaltação

E nesse beijo perdem-se assunto e meada,
Morrem exaltação, interesse, enfim, tudo
O que era antes. O beijo agora é o senhor.

Muito engenhoso este golpe da Amada...
Sabia que distraído, surpreso e mudo
Eu sentiria com os cinco sentidos seu sabor.

Francisco Libânio,
20/07/09, 11:50 AM

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Série Sentidos 03 - Olfato


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgr3KK4WpfIanCz-7aRKmND8GfsMEyvVbMUeFOVnaXe76B_Fb9uCZQagQgTQUhA41PWw9Qyoa25lnwiiO6ailMiJpWG8YU09uqEseXfPxKP0F455aUm_Szv5YzhAfhGLpDiy0kPGIcicWI/s400/beijo.jpg

Estou na sala, alheio a tudo que acontece,
Abre-se uma porta próxima. Invade um aroma
De eucalipto. A ele outro perfume se assoma
E a sala é só odores. Na porta me aparece

A Amada num roupão. E ela me toma
De assalto num abraço que bem favorece
Meu nariz. A ele, seus cheiros ela oferece
Enquanto saca da outra mão uma goma

Sabor hortelã, um aroma verde e forte.
Ela sussurra. Misturam-se eucalipto, hortelã,
Aromas da pele, da boca, do corpo inteiro

E é quando eu tenho, num lance de sorte,
Um beijo da Amada em seu doce afã
De mostrar que beijo também tem cheiro.

Francisco Libânio,
13/07/09, 12:29 AM

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Série Sentidos 02 - Audição


Extraído de http://m51.photobucket.com/image/sussurro/tesuras/sussurro.jpg.html?src=www

Durmo. A Amada me recita um bom dia
Tão melodioso que como ele não seria bom?
É que é só dela esse delicioso dom
De me transmitir na fala a sua alegria

Fazendo-o num dulcíssimo tom
Em que me despertar se inebria
E meu ouvido, ao ouvir dela a melodia,
Quer mais ainda desse som

Ela o atende e fala até a despedida
Para me receber com um cumprimento,
Uma história e me chamar de querido.

Como poderia eu querer outra vida
Se minha felicidade e meu contentamento
Chegam de forma amável pelo ouvido?

Francisco Libânio,
12/07/09, 1:47 AM