quarta-feira, 10 de junho de 2009

A mulher na fila


Extraído de http://cache1.asset-cache.net/xc/200440784-001.jpg?v=1&c=NewsMaker&k=2&d=052B350AE763EDA7F14124A89EB412F7D4B40B3E875A785D


Se tem algo que eu não gosto é fila. Fila de banco, de lotérica, de tudo. Mas como tudo na vida, dá pra tirar uma flor do lodo. Quando é assim, fico observando as mulheres na fila. E quando elas estão paradas ficam mais ao sabor dos seus olhos que não precisam caçá-las como quando se elas estivessem andando.

A mulher na fila tem uma beleza cotidiana. Ali ela é bonita porque não há artifícios em excesso. As mulheres até se arrumam pra sair de casa, mas não se empetecam tanto como se fossem, por exemplo, a um bar. Você admira a beleza realçada de forma simples e não uma maquiagem que se encaixa num corpo.

A mulher na fila está, involuntariamente, disposta à observação mais detalhada enquanto o homem na fila aguarda sua vez de ser atendido. Uma vez dispostos ao mesmo fim, a mulher e o homem na fila, mais que o olhar, possibilitam-se a uma companhia mútua, a uma breve conversa até que sua vez na fila chegue. É esse o momento em que o homem deve saber aproveitar conquistando a mulher na fila para ser sua.


Francisco Libânio,

10/06/09, 10:58 AM


terça-feira, 9 de junho de 2009

18 - Dormias... Meus braços protegiam as costas


Extraído de http://www.fotokritik.ru/photos/big/2008/04/07/437792.jpg

Dormias... Meus braços protegiam as costas,
Meu peito aninhava tua cabeça. Tal abraço,
Como eu queria que não acabasse. Teu cansaço
Sumia em mi ali. Eis que tomei as mãos postas

Em mim e te deitei na cama. Tirei teu conforto,
Meu calor e teus cabelos de mim, mas deitado
Contigo me pus abraçado docemente ao teu lado,
Resgatei-nos da deriva outra vez ao nosso porto

Onde eu me fazia em ti e era tua segurança,
Vi teu corpo perfeito e nele fiz meu lar, meu exílio
Para, ao teu lado e em paz, esperarmos a manhã

Foi assim que naquela noite, em diante mansa,
Que selamos nosso amor e aquele concílio
Garantia a benção como uma cerimônia pagã.

Francisco Libânio,
28/04/09, 11:41 PM

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Série Pecados - Avareza


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjuWpHkCIAt9kz7bVjzgpy-6rsCtBGfOqBLb0KuJgN3XP6OktQt0elqpg6-Yp2ZneR9KISXjGpNWpzIh9IH9zqCrjllxolnweme00gorjGZvMjIajMOHdYXr1YJllZbiW_5yrqYhnZsMQw/s320/avareza.jpg

Por ter muito e tudo para ti, nada tens.
Teu ouro, só e somente teu, frisas tanto,
Poderá comprar o leito, as flores e o canto
Também carpideiras e suas homenagens

Teu ouro poderá tudo no teu fim. No entanto,
Teu fim está longe e tu, ao amor aos homens
E à caridade ao próximo, prefere teus bens
A quem ofereces tua vida, suor e o acalanto

Da tua doçura, pois és amável com as posses
Enquanto com o que nada tem ou o necessitado
Nada teu divides, nem mesmo palavras doces.

Vive, pois, tua vida fausta e ama cada vintém
Até teu fim. Nele, tu frio, duro e deitado
Terás de ouro tudo sem ser chorado por ninguém.

Francisco Libânio,
27/04/09, 12:07 AM

sexta-feira, 5 de junho de 2009

30 - Deveria haver um poema aqui comigo


Extraído de http://fotocache01.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//74/88/12/2575535_dWUPb.jpeg

Deveria haver um poema aqui comigo
Em que eu escrevesse tudo de amor
E outro que foi escrito por um amigo
É o que tenho para te dar de melhor

Este poema de amigo é bom de se pôr
Numa antologia onde estarei eu contigo
A exaltar da amizade o nobilíssimo valor,
Mas sem me contentar com tal artigo

Pois ser teu amigo, por melhor que seja,
É pouco e te ver amando outro causa inveja
Porque poderia eu te amar e fazê-lo bem

Mas o poema que tenho é o que te entrego
Com sincera amizade e falso desapego
De quem mais amor que estima por ti tem.

Francisco Libânio,
05/06/09/11:03 AM

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Série Nomes - Samira


Extraído de http://farm4.static.flickr.com/3225/2781818814_0b6f307eb0.jpg

Moça à moda antiga, cheia de pudores,
Filha e irmãos, uma família conservadora,
Libaneses apegados aos velhos valores
Tinha educação fina de nobre preceptora

Prendada, mulher que cozinha os melhores
Pratos, cuidava da casa. Não namora,
Não divide seus segredos nem seus amores,
No assunto é a mais atenta observadora

Eu a conheci de vista. Eu dela distante.
Encantei-me. Tão linda! Numa ousadia
Perguntei-lhe o nome e a procedência

Eis que soube dela o que sei. O bastante
Para conhecê-la e sonhar com o dia
De vivermos do amor a experiência.

Francisco Libânio,
16/04/09, 11:35 PM

terça-feira, 2 de junho de 2009

Série Nomes - Adriana


Extraído de http://m6.photobucket.com/image/mulher%20da%20noite/tetera/Veluma/MulhernaNoite.jpg.html?src=www

Ela sabia tantas coisas, era informada,
Curtia a noite e nela sabia as fofocas,
Os namoros, os rompimentos, as loucas,
As santas e as por quem não se davam nada,

Mas eram impossíveis, sabia das trocas
De casais. Mas sabia e guardava calada,
Pois sabia bem que uma boca fechada
Nunca iria cair beijada noutras bocas

Era zelosa consigo e com o íntimo
De seu apartamento. Daquela porta
Poucos passaram, menos se sabia

Eu só fui até ela, não entrei e foi ótimo,
Pois testemunhei sua dona absorta
A me beijar como com poucos fazia.

Francisco Libânio,
14/04/09, 11:56 PM

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O tempo


Extraído de http://lavraalma.zip.net/images/O_tempo.jpg

O tempo que contamos no relógio
É sorrateiro, rasteja despercebido
Que achamos que ele nunca anda.
O que há é que ele está estendido
Sob nossos pés, sua cabeça nós vemos
E com seus pés, ocultos sob a pele,
Anda em meses e corre em anos
Levando nossas vidas com ele.

Francisco Libânio,
01/06/09, 12:28 AM