segunda-feira, 11 de maio de 2009

01 - 06-04-09 - Assim como o tempo não era seu amigo


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMTmkKkcJhZANySp2e9qAq3eYgAQIPIXJ_RmD5bv_0DFP31bTidcwymAViLvJrSvjM1PIobx7MOMCQ1vfQwYYF1HPW-e4og9dkgFWGvkWdcAsMwh4nHQ6lRUZqc3AiKkh8DdSUqB5CNnt7/s320/1.jpg

Assim como o tempo não era seu amigo,
Também não era a sábia perseverança.
Esta o abandonara se queria confiança,
Aquele arrastava os despojos consigo

Tinha fé em tudo. Só lhe faltava aquela
Imprescindível para se ser todo crente:
A fé em si, aquela que lhe faria potente,
Mas justamente esta fé... Quão difícil era tê-la

Viveu assim pelos dias abandonado
E sem conceber esta filha necessária
Para o amparo de todos os seus dias

Um dia o tempo teve com o malogrado
Levando-o de sua luta árdua e diária
Legando a fé contra existências vazias.

Francisco Libânio,
06/04/09, 7:03 PM

domingo, 10 de maio de 2009

Série Pecados - A Inveja


Extraído de http://i112.photobucket.com/albums/n166/lelecoeanjinha/mespinvejaabrer2nf.jpg

Tudo o que dos outros for não queira ter também.
Se for pra ser teu será. Se não, não mudarás em nada,
Nem serás menos que outrem. O que tem cada
Um na vida bem podem os outros viver sem.

Por querer ter do alheio a coisa que era desejada
Ou não tendo o dom que tinha por marcante alguém
Desejou tanto ter como se pudesse tirar de quem tem
Que se esqueceu da inestimável herança a si dada

E todas suas virtudes foram comidas pelas pragas
Por ele mesmo criadas e o que tinha lhe foi roubado
Por almejar o do outro sem com o seu ter cuidado

Chegou ao fim miserável, esquecido e com chagas
No corpo e com mil vezes mais feridas no espírito
Como um réquiem que pelo seu pecado foi escrito.

Francisco Libânio,
10/05/09, 12:16 PM

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Série Nomes - Mônica


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiakRxWdJSclg_XdtDhyf2-ocRuZ4ja7_uhK8YCQCqtRwUyrUUBDV2Nm6CNxUrWMrYfh0VlhpFIS-enY7MfBftfR2n-DhTLZvBIYXZ5zY5bmadtmnwd-zuoqul_RYOVDe_Oub2owk7Azw/s320/Mulher+no+len%C3%A7ol+na+cama.bmp

O que não vi era o que queria ter visto,
Onde não toquei eu queria ter tocado
Não com o desejo vulgar e malquisto,
Mas queria, além de tudo, ter te amado

Queria de ti a inocência do imprevisto
De ver de escapadela e ficar corado,
Pedir desculpa, te cobrir e com isto
Poder me achegar de ti, estar ao teu lado,

Escondendo as formas como manda o pudor,
E sentir teu perfume dando ao olfato o olor
Como a vista teve de tua figura o presente

O teu amor, se num beijo, me faria feliz,
Tua boca me regalaria dando o que eu quis
E o que te cobria cobriria depois a gente.

Francisco Libânio,
28/03/09, 12:16 AM

quinta-feira, 7 de maio de 2009

24 - Ela me disse àquela noite duas frases


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEijadr_GL3QESTJTyLoZLaQMyaYyafEeoxoGmijkBXSX8L2DGSBFJo1xBtMHu_WMqdXu95Z2BDu2TpkwutpA1AoV8P35-zqEhX68i6zTyrLK8ejXCipICqobHZi_kXz_bnDV5Fm4JBxaZ0/s400/despedida.jpg

Ela me disse àquela noite duas frases
Uma era “Não te quero nunca mais”,
A outra curta e doída “Deixa-me em paz”
E deu a falar de outros homens. Rapazes

Conhecidos nossos, alguns próximos demais.
Queria ela saber se eram eles capazes
De dar ao amor por ela sonhado fortes bases.
Saímos. Ela na frente, eu passos atrás.

Virou-se para mim e eis que minha vida,
A vida a quem lhe entreguei confiante
Para cuidar como sua e mais adiante

Eu lhe daria inteira, tornou-se escura
E fria já que depois das frases por pura
Maldade, deu-me um beijo de despedida.

Francisco Libânio,
03/04/09, 12:24 AM

terça-feira, 5 de maio de 2009

Série Nomes - Anastasia


Extraído de http://m236.photobucket.com/image/blonde%20anastasia/wael0795001474/sexy%20girls/blonde.jpg.html?src=www

Era uma deusa russa. Loura e branca
Como a neve dos Urais ascendentes
Seus cabelos amarelos e reluzentes
E seu corpo esguio de beleza franca

Tiravam de mim elogios tão eloqüentes.
Ela não me entendia, mas eis que desanca
A palavra um gesto. Surgia-lhe a anca
Ao cair da saia e os seios sorridentes

E livres do jugo da blusa que oprimia
Comprimiam-me o corpo prisioneiro
Que mais prisão a ela e a eles pedia

Amamos. E então não havia alguma trava
Entre nós. Nosso querer vinha primeiro
E depois vinha o idioma que ali se falava.

Francisco Libânio,
23/03/09, 7:25 PM

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dos mistérios


Campos de Mistério - Muralha, de Henrique Coutinho. Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJ5vfcn9ONO15ZsR2c1e1jjZIHcw5t92nHlLCfiUQaLoYaPCYThaagy2kPVYg_WeI-an067GrMjmSCYygh7Zd4JbYT0b-AfHuKjqFk2aDLBQBCZx8Fe5Nqw4fp8U56cV9-uy_I5vYORNo/s400/Campos-de-Mist%C3%A9rios-Muralha.jpg

E se fossem as perguntas respondidas
Todas, todas sem sobrar uma sequer,
Com todas as questões resolvidas,
Sem enigmas qual seria a emoção de viver?

Francisco Libânio,
10/04/09, 11:50 PM

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Primeiro de Maio


Extraído de http://m75.photobucket.com/image/1%2525C2%2525BA%20de%20maio/improvisos2/Work-1deMaio.jpg.html?src=www


Desfruta do teu dia, trabalhador. É teu o feriado.
Passa com a família que de ti depende. Goza
Teu descanso de forma plena com tua esposa,
Companheira de vida, de cama e no proletariado

Convive com teus filhos a infância doce e viçosa
Qual a tua não fosse ela abreviada pelo celerado
Instante em que teu pouco sonho foi de ti levado
Pela necessidade da vida que foi logo imperiosa

Faz da tua família uma família ao menos um dia,
Juntos sem preocupações, sem toda a pressão
Que te oprime e te rouba a vida sem se lamentar

Aproveita o primeiro de maio com a devida alegria,
Dia sem fábrica, sem chefe e sem exploração,
E pede pra que amanhã ainda seja teu o teu lugar.

Francisco Libânio,
01/05/09, 11:06 PM