segunda-feira, 20 de abril de 2009

Da conversão dos caracteres


Extraído de http://games-magazine.net/wp-content/uploads/2009/03/aion03122.jpg

Não creia nem te façam crer que as pessoas
Mudem, se arrependam ou renunciam aos erros
Elas nascem, somente, merecendo os desterros
Da humanidade ou com a alegria de serem boas.

Francisco Libânio,
12/03/09, 12:43 PM

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Série Pecados - A Gula


Extraído de http://www.umacoisaeoutra.com.br/cultura/IMAGES/gula.jpg

É no caldo gordo e na fartura posta à mesa,
Entradas, carnes... Tudo a mercê desse desejo
De matar a fome da hora e dar-se ao sobejo
Das delícias que o apetite à razão despreza

Devoras os assados e logo deglutes o queijo,
Entornas o vinho sem modos e sem leveza,
Comes por dez em teu festim de realeza,
Aproveitas às plenas teu tão farto ensejo

A ti mesmo em nome disso tudo te rebaixas
Teu corpo que pague o preço dos excessos
De agora quando – ou se – pensares nisso.

Cuidado, pois. Esta voracidade que achas
Ser tua amiga cobra juros aos já altos preços
E exigirá o teu corpo para selar o compromisso.

Francisco Libânio
17/03/09, 11:52 PM

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Do tédio


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjzS2htVn_gsBO4-dy4vCZOdjSapKhIv3EXfhhkn6e7fRqShBsTLAIg9xmShY9XGCEmZeeO_1mbCficqVBhGGKM2hyphenhyphensMKkAfOPUnSwwaxV2Se0rFSIJB-M4iWBhbLeXtzAgsNUiiYTEJ3Y/s320/tedio.jpg

Às vezes não fazer nada
E sentir-se mal é preferível.
Imagine o que é fazer uma burrada
Quando se cria fazer algo incrível.

Francisco Libânio
Caraguatatuba,
09/03/09, 10:06 PM

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Soneto de Caraguatatuba


Arquivo pessoal


À noite, parece que a natureza
Resolve chamar seus artistas,
Anônimos que são não dão pistas
De suas caras, apenas a pureza.

E um maestro inexistente rege
O coaxar dos sapos, o cri-cri dos grilos,
Outros sons de afinações e estilos
Dentre os quais o melhor quem elege

É o ouvinte que, deitado se atenta
Não a um naipe ou instrumentista
Ou a um acorde ou a um instrumento

Pois ao ouvir a sinfonia se experimenta
A beleza anônima dessa orquestra mista
Tocando, virtuosa, todo um sentimento.

Francisco Libânio
Mata Atlântica, Caraguatatuba,
09/03/09, 10:04 PM

terça-feira, 14 de abril de 2009

21 - Uma mulher me amou de tão intensa


Extraído de http://img135.imageshack.us/img135/5272/1183134308aserpentefototv3.jpg


Uma mulher me amou de tão intensa
Forma e com tanta entrega certa vez
Que cada outra após ela queria tão densa
Nas carícias e no amor igual ao que ela fez

Nenhuma após ela a ela parecia igual
Como nenhuma após ela tinha os talentos
Ou os saberes que eu julgava ideal
Numa mulher nos íntimos momentos

Nenhuma conseguiu. Até houve tentativas
De algumas, mas quase todas, de indignadas,
Ignoravam-me que brandas foram as evasivas

Quanto a que me amou e tomei por modelo,
Não soube nem mais a amei, mas as negadas
Negaram-me também todo carinho e desvelo.

Francisco Libânio
Caraguatatuba, 09/03/09,
5:42 PM

segunda-feira, 13 de abril de 2009

20 - Aquele rapaz que vendia sonhos e ilusões


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdegZ43rx2N_mA6XctkAnRKHg5dpvUywGhe8lB7adB7ML-N7c3wnyXfGA0H8kDkrVSJoKtverEkEaTkIaxsNGl9cxO1yPu6U55DXZYEIvBmdZSW6yKnNv3b8PbeVlSWnWhifWxMPrRIXiU/s400/743992.jpg

Aquele rapaz que vendia sonhos e ilusões
Todo dia e de todas as formas que se imagina
Desde a beleza do corpo que atraía menina
Até o passaporte para as piores alucinações,

Este rapaz ganhou a aposentadoria divina
Antes de cumprir o prazo de suas funções
Sabe-se lá se ele ganhará as gratificações
Que a Previdência desta terra determina

(Vejam-se Previdência e Providência às barras
Dos tribunais, é questão de instâncias)
O que se sabe é que ele não exercerá mais

Seu ofício de vender delírios e farras
Uma vez que eles fizeram a extravagância
De venderem-se até ao, então, cético rapaz.

Francisco Libânio
São Paulo, 07/03/09,
8:01 PM

domingo, 12 de abril de 2009

01 - 07-03-09 - Tu poderias até sequer existir


Extraído de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipdeGe7i0omjT2aSrJBYEfHuUFe8XEcqi4aHBiRtugymNhatdwoDsibgKvKJj_XOiRh7zm_p-bidI8Iy2xhTTQ3psuqUo7rRR2bNK2IuK7ISd7SlVVvcR-0Jb48CScRYIMAFhIklROFh39/s400/PAULO+CESAR-OLHARES-1207540.jpg

Tu poderias até sequer existir,
Ser uma dessas vidas não sabidas,
Não geradas, ou pior, até perdidas
Ou nem do ventre chegarias a sair

E não seriam de ti conhecidas
A paz de amar, a delícia de se sentir
Amada, a amarga hora de partir
E a hora em que cruzamos nossas vidas

Poderias nunca viver e ignorante
Dos prazeres a dois serias também
Enquanto eu de tudo isso saberia,

Mas sem ti e sem tua tão marcante
Existência não viveria eu alem
Disso nisso tudo ignorante eu seria.

Francisco Libânio
São Paulo, 07/03/09,
7:23 PM