Quem freqüenta este blog sabe que só posto aqui poemas de minha autoria. Mas queria, hoje, abrir uma exceção para um vídeo que eu assisti ontem com alguns amigos e me deixou emocionado. O carinha aí em baixo com pose de rapper bem comportado, tranças rasta e cheio de magnetismo pessoal se chama Bobby McFerrin e mandou muito bem nessa apresentação em que ele foi mais um espectador e aqueles que foram vê-lo terminaram sendo os artistas. Este post não tem poesia do Francisco, mas tem a eterna, divina e lindíssima música de Bach, o que não deixa de ser uma poesia também.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
06 - Delicadezas, delicadezas... Palavras gastas,
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extraído de http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/jogo/imagem/DiCavalcanti1.jpg
Delicadezas, delicadezas... Palavras gastas,
Promessas, juradas, não cumpridas,
Cobradas e impiedosamente punidas
Fizeram de ti uma das mais madrastas
Aparições e desde que quiseste ver unidas
Nossas vidas e após destruíres as mais castas
Ilusões do meu amor, agora que te afastas
Por minha ordem queres bem escolhidas
Palavras em que a fina delicadeza
Supere minha mágoa e que a aspereza
Do teu trato não seja contra ti agravante?
Fica, pois, com meu silêncio, esta leve
Volta contra o crime que não prescreve:
O mal de que te amou por teu amor farsante
Francisco Libânio
10/02/09
11:51 PM
Navegar impreciso
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Édipo expõe o enigma da Esfinge, de Jean Auguste Dominique Ingres
extraído de
E de repente, olhas à frente. Teu futuro
Está lá e te encara qual esfinge e te desafia
A decifrá-lo ou te devora. Estás inseguro
E fitas assustado a sanha com que ele afia
As garras certo de que serás tu o mais puro,
Refinado e saboroso prato, o que lhe sacia
Até a alma, mas eis que vem do escuro
Das olvidadas coisas tuas o que te alivia.
Vences teu futuro de agora já um presente,
Logo um passado, mas outro mais faminto
Espera-te em êxtase sem igual em seguida.
E contra futuros feras o homem vai em frente,
Mas sem o perigo deles ou o sossego distinto
Valeria menos navegar e seria preciso a vida?
Francisco Libânio
04/01/09
12:21 AM
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
05 - Quente a noite. Um calor que, tão inclemente,
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extraído de http://sp1.festanet.com.br/new/joa/o_a/vil/joao_avilla/5209778.jpg
Quente a noite. Um calor que, tão inclemente,
Faz lembrar como o clima com os exageros
Castiga o homem qual se fosse um intransigente
Guarda-costas a defender um planeta inteiro,
Só que este guardião não age no desespero
Do agora. Ele é calmo, frio e paciente,
Espera que agridam seu patrão com destempero
Para depois aplicar o revide conveniente
E eis que temos este calor aqui no Oeste
Enquanto o céu se faz em águas na capital
Com fogo e chuva sendo castigo no outro lado
Do mundo. Eis, humanidade, o que fizeste
Com teu lar. Pelo breve bem de alguns o mal
De muitos pelo clima vem sendo selado.
Francisco Libânio
09/02/09
11:39 PM
Fênix
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extraído de http://afenix.blig.ig.com.br/imagens/fenix.jpg
Pássaro, quem fez cinzas de ti
Ardendo-te no fogo que consome
Com tanta fúria ao saciar a fome
Fazendo-te o punhado que está aqui?
Fácil de se desfazer pelo vento,
Passível de te levar qualquer água,
Corrente ou que caia, mas enxágua
Fazendo-te terra ou ao firmamento
Estás frágil assim, oh ave abatida,
Mas de frágil nada tens. Ao contrário,
Pois quando se te tem por perdida
É que do monte que de ti fez
O fogo renasces no ser extraordinário
Alçando vôo, ganhando vida outra vez.
Francisco Libânio
28/12/08
1:33 AM
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Poema de uma infância
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extraído de http://missdevil.blogs.sapo.pt/arquivo/tristeza.jpg
Quando eu era criança
Eu armava o mundo aos meus pés
Brincando com bonequinhos de Playmobil
E que não existem mais
Eu era o técnico da minha seleção de botão
E montava esquadrões inesquecíveis
De craques que nem sei mais os nomes
Eu montava prédios imensos de Lego sem me preocupar
Em ter que desmonta-los ou ter que matar gente
Se, porventura, eles caíssem
Eu tinha o mundo, vasto universo,
Tão grande de minúsculo
Todinho aos meus pés
Hoje sou eu que estou nos pés do mundo
Numa sola suja raspada na calçada
Francisco Libânio
20/05/02
2:15 PM
04 - A amada, deitada em incandescência
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extraído de http://topicos123.com/Svicent4.jpg
A amada, deitada em incandescência,
Doura sob o sol e sobre a alva areia
E ali fica dona da praia, helênica sereia,
Temperada pelo mar, musa por excelência
A imagem alegra quem pela praia passeia
Vendo cozinhar em gostosa displicência
A amada enquanto meu corpo com paciência
O dela, dourado e desejado, ele anseia
E penso “Olham-na”. Aprecio o gosto
Sem ter ciúme da masculina inveja
Querendo o corpo desta linda dama
Ciente do que são eles e do meu posto
Dono da boca que sonham e me beija,
Alvo do corpo que desejam e me ama.
Francisco Libânio
09/02/09
4:23 PM
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