terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Não te aborreças se acaso não quiser mais


extraído de http://losolvidados.apostos.com/archives/belledejour.jpg

Não te aborreças se acaso não quiser mais
Tua companhia. Não, não se acabou meu amor,
Ainda te amo, mas ele perdeu da cor
Um pouco quando me roubaste a paz

Porque tudo tem seu limite e o demais,
Seja amor, ódio, calma leva a tal estupor,
A tal loucura que nenhum pacificador
Ou psicólogo tamanha ruptura desfaz

Não lamentes se vier a indiferença
Ao invés dos carinhos ou um deserto
Nascer no jardim. Não haverá desavença

Nem maldições minhas, dê isso por certo.
Ainda te quero, mas teu querer qual doença
Faz o dia de não querê-la mais perto.

Francisco Libânio
30/11/08
8:07 AM

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

03 - Em meu diário os dias são histórias


extraído de http://img183.imageshack.us/img183/534/gothic159co3.jpg

Em meu diário os dias são histórias
Parecidas e, em casos, até repetidas
Mudando personagens e oratórias
Com situações que já me são sabidas

Os dias nele se repetem. Folhas corridas
Do começo ao fim são as memórias,
As mesmas frases, as mesmas feridas
E entre repetições há pequenas glórias:

Uma sorte no jogo, um irrisório ganho,
Um achado de alguém querido, uma criança
A sorrir gratuitamente porque está feliz

E quis dividir felicidade com um estranho
Ou uma alegria com amigos e a esperança
Faz disso tudo em árido solo sua raiz.

Francisco Libânio
09/02/09
12:28 AM

As segundas intenções


Extraída de http://meninasridiculas.files.wordpress.com/2008/07/medo-100308.jpg

Não te zangues se, porventura,
Perguntarem do teu íntimo segredo.
Responde o básico, mas com ternura
Porque a pergunta nasceu do medo.

Francisco Libânio
20/10/08
2:25 PM

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

02 - Ilumina-me a vida com o teu olhar


http://www.prof2000.pt/users/misabel/blog/olho.jpg

Ilumina-me a vida com o teu olhar.
Teus olhos são o sol do dia e os focos
De luz na noite. E quando são poucos
Os brilhos na abóbada, vens a clarear

Com dois corpos o que fariam milhares
Ou milhões. É teu olhar a segurança
A afastar medos e onde descansa
Meu coração quando o intimidam olhares,

De tão cotidianos, vis e com perigos
Enquanto o teu é só carinho e doçura
Destilados na paz e em forma pura.

E se de teus olhos, estes invioláveis abrigos,
Escapar uma lágrima ao ver meu pedido
Este instante valerá a vida e se verá atendido.

Francisco Libânio
06/02/09
1:32 AM

Claustro


http://www.dimasgomez.com.br/imagens/Angels_Dream_In_Whispers_8_by_hakanphotography.jpg


Meu quarto, meu universo íntimo,
Tem a grandeza da imensidão
Mais o mistério na vastidão
Da minha existência num ínfimo

Espaço vazio cuja delimitação
Comporta os amores que rimo
E assiste aos desejos que oprimo
Oprimido que estou pela solidão

Assim, viva cá neste universo
Com a paz das leituras e do verso
Num território onde sou o dono,

Mas trocava o que fosse de valioso
Por uma mulher de ser formoso
Trocando amor e me velando o sono.

Francisco Libânio
19/11/08
12:37 AM

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

01 - Se de amores eu morrer, oh meu leitor,


Se de amores eu morrer, oh meu leitor,
Reza por mim um Pai Nosso e ao anjo da vez
Pede um lugar no Paraíso ao poeta que fez
Sua obra prima pautando no maior amor.

Quem é ela? Oh, meu caro, será que não vês?
Nomes e descrições podem dar a ela forma, cor,
Impressões e um título, mas não lhe dará o melhor:
O meu querer sincero e o meu amor cortês

(Melhor, pois, que nada se saiba sobre ela),
Mas tudo bem, fiz-te um pedido hipotético
Para quando algo indesejado vir a acontecer,

Pois morrer de amores não há de apetecer
Meu peito amante, mas inabalável e cético
Em achar em tal atitude alguma intenção bela.

Francisco Libânio
05/02/09
3:53 PM

Dorme querida minha


Dorme, querida minha, o sono casto
Daquelas a quem desejar é pecado,
E com cuja visão do sono me basto
Livre de qualquer pensamento errado

Dorme bem, princesa do meu sonho
Que ao teu sonho eu quero assistir
Afastando o dia-a-dia enfadonho
Ao te ver acordar, abrir os olhos e sorrir

Dorme teu sono pueril tranqüila.
Correrei as cortinas do teu quarto,
Apagarei a luz que sobre ti cintila,

Deixarei-te a sós com teu sono e em paz,
E irei pela minha vida de ti farto
Na contemplação e te amando mais.


Francisco Libânio
08/11/08
10:09 PM