quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O fim do amor versificado


Versos distorcidos, palavras repetidas...
Eu que amei tanto e escrevi meus sonetos
No que menti? Se fomos tão discretos
Ao amar, por que essas investidas

Tão fortes e tantos golpes diretos?
Será que as palavras há tanto lidas
Desfizeram o belo de nossas vidas?
Por que, se estávamos cá quietos?

Agora, onde está o pecado nisso tudo
Que escrevi repetidas vezes e acabou
Num amor que existia e se calou?

Eis a lição: Devo amar e ficar mudo.
O amor versificado incomoda a vizinhança
Que enquanto não o mata não descansa.

Francisco Libânio
07/02/08
5:21 PM

Sine qua non


Extraído de elisabetecunha.wordpress.com/2007/07/

Para que eu seja feliz com meu sorriso
Cintilando e meus olhos reluzindo alegria
Mais do que toda felicidade eu preciso
De algo que sem o qual não existiria

Uma luz, um bem ou um motivo impreciso,
Qualquer um que faça haver um bom dia,
Preciso da paz que à minha vida eu viso
E quem sem ela eu a sinto de mim vazia.

Para que eu saiba o quão bom é dormir
E acordar para outro capítulo de ventura
Em minha vida é imprescindível a presença

Tua, somente tua, única e bela a espargir
Em meu viver tua existência e tua figura
Que é entre minha vida e morte a diferença.

Francisco Libânio
07/02/08
3:43 PM

01 - 18-10-06


Extraído de http://nylda.blog.simplesnet.pt/archive/2006_12.html

Eu te busquei nos sonhos sem achar
Porque eram tantas as idealizações
E cá eram tantas as contradições
Que aos meus olhos preferi sonhar.

E tantos eram os sonhos e as visões
Que de cada uma estava eu a tirar
Qualidades que fizessem fabricar
A mulher das minhas realizações.

Foi eis que num lapso do eu desperto
Passaste pela minha vida ao incerto
E de carne se fez o que se cria ideal

Hoje, eu estou ao teu lado sonhando
Em teus braços e rio de mim quando
No sonho não consegues ser a ti igual.

Francisco Libânio
18/10/06
11:43 PM

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Soneto da Quarta-feira de cinzas


Calem-se os foliões, não há mais carnaval,
Porta estandarte nem alegrias. Nada.
Cessam sambas e assim, gradual,
Volta a vida à sua velha e triste toada

Aposentaram-se as fantasias e cada
Um dos instrumentos dá o acorde final
E não se ouvirá na avenida a batucada,
Mas verás o trânsito ao abrir o sinal.

Passará assim a evolução das horas,
Horários, compromissos e agoras
Que serão cumpridos sem interrupções

Quarta de cinzas... Acabaram carnaval e canções,
Almas vestem todas suas fantasias
Cotidianas no aguardo dos quatro dias.

Francisco Libânio
06/02/08
9:31 AM

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Depois desta noite a ti serei fiel


Depois desta noite a ti serei fiel
Porque até aqui eras só um flerte,
Uma vã possibilidade e perder-te
Era algo passível e deixar-te ao léu

Seria uma fatalidade, mais esquecer-te,
Fácil pra quem o amor é improvável
E para quem só gozava do corpo o mel.
Seria... Se não me deixasses inerte

Ao teu carinho doce, à tua meiguice,
À tua boca inocente que plantou a delícia
Num beijo que outras não tinham dado.

Por isso te serei fiel agora e no resto
De minha vida já que de ti é honesto
O amor antes prometido e experimentado.

Francisco Libânio
04/02/08
1:09 AM

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Palavra


Uma palavra que nunca esqueci
Foi aquela que você me disse uma vez
E não repetiu mais
E até então eu não sabia
O que significava adeus

Francisco Libânio
19/11/01
10:34 PM

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Soneto da anti-mágoa


extraído de http://img343.imageshack.us/img343/5884/nasmagoasdentrodomeuser2wu.jpg

Um coração que ama de verdade
Não vê na coisa amada imperfeição,
Faz ao defeito alheio uma remição
E ama ainda mais sua qualidade.

O coração que ama não vê desilusão,
Deixa-se atingir, se está cheio de maldade
A coisa amada pois sabe: é no perdão
Que morrem o rancor e a vaidade.

E se o coração que ama é traído,
Ele chora a traição, a dor, a revolta
Mas é por elas mesmas reconstruído

Aprendendo durante este inverno
De mágoas que a anti-mágoa o solta
Dos males com o amor mais terno.

Francisco Libânio
31/01/08
12:44 AM